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Fabricantes de aço perdem R$ 2 bi na Bolsa brasileira após sobretaxa dos EUA

Companhias com ações negociadas na B3 lideram as perdas do Ibovespa, índice com os principais papéis em comercialização no mercado local

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

08 Março 2018 | 19h48

As empresas brasileiras sentiram na pele o impacto a taxação dos Estados Unidos de 25% sobre a importação do aço e de 10% sobre o alumínio nesta quinta-feira, 8. As siderúrgicas com ações negociadas na Bolsa de São Paulo, a B3, lideram as perdas do Ibovespa, índice com os principais papéis em comercialização no mercado local, e perderam, em um único dia, R$ 1,78 bilhão em valor de mercado.

A Gerdau foi o destaque negativo do dia, com redução de R$ 1.013.462 bilhão em valor de mercado. Sua principal ação fechou o dia cotada a R$ 16,04, baixa de 4,18%. A Usiminas foi dormir R$ 624.281 mais pobre, com queda de 2,13%, e a Siderúrgica Nacional (CSN) teve redução de R$ 147 milhões, com papéis em queda de 5,08%.

Para o analista-chefe da Walpires Corretora, Fabrício Estagliano, o resultado poderia ter sido ainda pior, não fosse o fato dos investidores já estarem mais ou menos preparados pelas medidas de Trump. "O bloco siderúrgico vinha caindo no mês de março, já colocando nas ações o preço dessas medidas", lembra.

De fato, o movimento intenso de venda das ações em março faz com as ações da CSN acumulem queda de 15,37% no mês, seguida pela Usiminas (-10,14) e pela Gerdau (-3,55) no período.

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Outra que também sentiu o impacto do anúncio de Trump foi a Vale, que não produz aço, mas é fornecedora de minério de ferro, a matéria prima para a produção do aço. As ações da empresa fecharam em queda de 3,24%,  comercializadas a R$ 41,46. Em março, a empresa acumula queda de 7,08%. 

Nesta quarta, o Ibovespa ampliou levemente o ritmo de queda na reta final do pregão, bem em meio ao anúncio da sobretaxa dos aço e do alumínio dos EUA. 

Do exterior, pesaram também as perdas nas cotações das commodities, como petróleo e minério de ferro. Assim, o principal índice da B3 que havia retomado o patamar dos 85 mil pontos um pouco antes do final do dia, caiu rapidamente e fechou em baixa de 0,58%, aos 84.984,60 pontos. O giro financeiro, o volume de venda e de compra de ações, avançou nos minutos finais e chegou a R$ 11 bilhões.

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A Petrobrás, por sua vez, teve mais um dia alinhada ao preço do petróleo no mercado internacional, mas, na reta final, conseguiu fechar no positivo, perto da estabilidade com 0,13%.

Para além do exterior, Thiago Figueiredo, gestor da Horus GGR chama atenção para os resultados corporativos, que, segundo ele, se sobressaíram à movimentação político-econômica. Na sua avaliação, os balanços das empresas mostram que uma parcela da economia começa a ter reflexo bom da retomada, mas não com o otimismo que o mercado esperava para o último trimestre de 2017.

"A temporada de balanço está quase terminando e, pelos resultados, a recuperação ainda não foi tão disseminada como se pensava", disse Figueiredo, ressaltando que, ainda assim, os resultados mexeram mais do que movimentações política como a do Democratas (DEM), que aclamou o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (RJ) pré-candidato à Presidência da República. Para ele, isso não está sendo suficiente para interferir no humor da bolsa. "Nem para cima, nem para baixo."

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