Yara Nardi/Reuters
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Siderúrgicas preveem 11,3 mil demissões no primeiro semestre

Número reflete o agravamento da crise no setor, segundo o Instituto Aço Brasil

Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2016 | 04h33

RIO - A indústria siderúrgica demitirá 11,3 mil trabalhadores até o fim do primeiro semestre, estima o Instituto Aço Brasil, que representa as fabricantes de aço. Os cortes refletem o agravamento da crise do setor que prevê encolhimento de 1% na produção em 2016, para 32,9 milhões de toneladas, a menor desde 2010. Será a quinta queda anual consecutiva.

Os cálculos incluem as vagas fechadas pela Usiminas e pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que paralisaram equipamentos em Cubatão (SP) e Volta Redonda (RJ), deixando cerca de 2,7 mil funcionários sem emprego.

Em 2014 e 2015 as siderúrgicas fecharam 29,7 mil postos e suspenderam 2,3 mil contratos. No período, 74 unidades de produção foram desativadas ou paralisadas. Outras 23 devem seguir o mesmo caminho até o fim de junho. Em abril a Vallourec encerrará a produção de ferro-gusa e aço de um alto-forno na unidade de Barreiro, em Belo Horizonte (MG). Outro será desligado até 2018.

A nova estimativa de demissões do Aço Brasil é 15,2% superior à última, calculada em janeiro. Segundo o instituto, desde 2014 o setor adiou US$ 2,9 bilhões em investimentos, deixando de gerar 9 mil empregos.

"Vivemos a pior crise da história da siderurgia brasileira. Nem na crise de 2008 a situação foi tão ruim. O mercado interno não retomará o crescimento em 2016, nem 2017", diz o presidente executivo do Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes.

As siderúrgicas brasileiras são atingidas pela fraca atividade econômica. Além disso, enfrentam cenário de excesso de aço no mundo (em torno de 720 milhões de toneladas) e a concorrência da siderurgia chinesa.

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