Siderúrgicas preveem queda de 8% nas vendas

Expectativa piorou em relação a novembro,quando se esperava uma alta de 4%; produção deve crescer 6,5%

MARIANA DURÃO / RIO, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2015 | 06h01

A indústria siderúrgica divulgou ontem estimativas mais pessimistas para o setor em 2015. A previsão do Instituto Aço Brasil (IABr) é de queda de 8% nas vendas ao mercado interno e de 7,8% no consumo aparente de aço no ano. Representante das maiores fabricantes do setor, a entidade credita os números à deterioração do cenário político-econômico nacional e à contínua perda de competitividade sistêmica que atinge a indústria brasileira.

As expectativas do setor pioraram ao longo do primeiro trimestre. Em novembro, o IABr esperava alta de 4% nas vendas domésticas de aço e avanço de 4,7% no consumo aparente (soma de vendas e importações).

"Estamos vivendo uma situação de economia estagnada, recessão técnica, com um mercado que não cresce, crise hídrica e energética, além de um excedente monumental de capacidade instalada de aço no mundo (700 milhões de toneladas) que dá margem a práticas predatórias. Um cenário bastante complicado", resumiu o presidente executivo do IABr, Marco Polo de Mello Lopes.

O instituto projeta um crescimento de 6,5% da produção de aço bruto no ano, para 36,1 milhões de toneladas, mas isso não é sinal de novos investimentos ou otimismo. A alta deve refletir a retomada da operação do alto-forno 3 da ArcelorMittal Tubarão, religado em julho de 2014. No ano passado, a fabricação brasileira de aço recuou 0,7%.

As exportações de placas a serem processadas no exterior por empresas como ArcelorMittal, Açominas e Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) também vão turbinar a produção. Impulsionados pela desvalorização do real ante o dólar e pela queda dos preços do minério de ferro, fator que reduz os custos de produção, os embarques de produtos siderúrgicos prometem um salto de 38,1% no ano, para 13,5 milhões de toneladas e US$ 8,8 bilhões. Já as importações devem recuar 6,3%, para 3,7 milhões de toneladas, na mesma base de comparação.

O envolvimento de grandes empreiteiras do País no escândalo de corrupção da Operação Lava Jato e a paralisia do setor de construção civil pesaram na queda de 12,2% das vendas internas das usinas brasileiras no primeiro bimestre de 2015. "Houve uma paradeira geral na área de construção", reconheceu o presidente do conselho diretor do IABr, Benjamin Baptista Filho, também presidente da Arcelor Mittal Brasil.

O setor siderúrgico tem feito apelos ao governo por medidas que ajudem a mitigar os fatores que minam competitividade da indústria de transformação, como a elevada carga tributária, custo do capital e, principalmente, o câmbio. Utilizando hoje apenas 66% de sua capacidade, o setor descarta a entrada de novos projetos em operação nos próximos dois a três anos.

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