Coluna

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Siderúrgicas querem insumos mais baratos

Empresas pedem queda no preço de carvão e minério

Natalia Gómez, O Estadao de S.Paulo

22 de novembro de 2008 | 00h00

Diante da nova realidade do mercado de siderurgia, com preço e demanda cada vez mais fracos, as empresas do setor já começaram a se mobilizar para buscar descontos nos principais insumos. Várias siderúrgicas, entre as quais a Gerdau, estão tentando antecipar as negociações de preço do carvão metalúrgico, que usualmente são concluídas em julho. A intenção das empresas é fazer o mesmo com o minério de ferro, mas essa será uma tarefa mais difícil porque a produção é concentrada nas mãos de três grandes mineradoras - Vale, BHP Billiton e Rio Tinto. Segundo fontes do mercado, as siderúrgicas já pretendem devolver uma parte do reajuste de 200% que começou a valer em julho deste ano e elevou o carvão de US$ 98 para cerca de US$ 300 por tonelada. A meta é reduzir os preços em cerca de 30% a 40%. A Gerdau, que compra carvão na Ásia, Austrália e Estados Unidos, também está buscando recuo nos preços, de acordo com informações de mercado e confirmadas pela empresa.Outra empresa que estaria negociando uma queda antecipada dos preços seria uma estatal indiana. Ela teria pedido aos fornecedores uma redução superior a 60% no preço do carvão metalúrgico para os contratos que terminam em julho de 2009. As siderúrgicas argumentam que, no ano passado, a oferta de carvão foi afetada por fenômenos não recorrentes, como enchentes na Austrália e nevascas na China, que ajudaram a elevar os preços em 2008. Diante do novo cenário, o banco UBS Pactual revisou suas projeções para o preço do carvão em 2009. De acordo com relatório, o preço do carvão deve cair para US$ 180 por tonelada em 2009, recuo de 28% ante as projeções iniciais do banco, de US$ 250 por tonelada. Para 2010, a expectativa passou de US$ 230 por tonelada para US$ 130 por tonelada. MINÉRIO DE FERROCaso tenham sucesso nessas negociações, as usinas deverão tentar o mesmo com o minério de ferro, segundo um executivo do setor. Recentemente, a Vale teve de desistir de um reajuste de 12%, que pretendia impor aos seus clientes asiáticos, por causa da queda na demanda. Esta semana, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) informou que clientes já pedem uma redução dos preços do minério de ferro nos contratos de longo prazo.As projeções para reajuste do minério também estão recuando. Antes, o mercado previa uma alta de cerca de 20%. Agora, há uma expectativa de queda de até 40%, segundo o UBS Pactual. Segundo fontes, a Vale pretende adiar essas conversas pelo maior tempo possível, à espera de uma melhora no cenário em abril, quando começam a vigorar os novos preços do minério.Os dois insumos têm participação parecida nos custos das siderúrgicas. De acordo com o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), o carvão representa, em média, 20% dos custos das usinas. O minério responde por 16% a 20% dos custos. Na Companhia Siderúrgica Nacional, o carvão representou 31% dos custos no terceiro trimestre e o minério de ferro, 5%, graças à produção própria da empresa em Casa de Pedra.

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