SERGIO ROBERTO OLIVEIRA
SERGIO ROBERTO OLIVEIRA

Siderúrgicas tentam fomentar construção civil

Instituto Aço Brasil formará coalizão com entidades empresariais para levar a pauta ao governo; construção é um dos principais consumidores de aço

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S. Paulo

04 Dezembro 2017 | 05h00

As indústrias siderúrgicas vão encerrar este ano com aumento de produção de aço, mas o otimismo é cauteloso em relação ao horizonte do setor no curto prazo. Apesar de a produção de aço ter sido revisada para cima este ano, a 34,154 milhões de toneladas, alta de 9,2% em relação ao ano passado, de acordo com Instituto Aço Brasil (IABr), as indústrias ainda precisam de sinais mais claros de recuperação da economia para fazerem seus planos de expansão para 2018.

Lopes lembrou que as indústrias siderúrgicas passaram por uma forte crise entre o fim de 2014 e 2016, levando o setor a demitir 46 mil trabalhadores, após o fechamento de 78 unidades no período. Hoje, o setor emprega 111 mil funcionários.

Nos últimos meses, as siderúrgicas começaram a renegociar reajustes de preços com os principais fornecedores e agora estão em conversas com distribuidores de aços planos para futuras revisões. O pior momento para o setor já passou, mas há incertezas sobre 2018.

Dúvidas. Otto Nogami, professor de macroeconomia do Insper, lembra que a recuperação das vendas do setor automobilístico e do setor de linha branca, que ajudaram a impulsionar as siderúrgicas, refletem medidas pontuais do governo, como liberação do FGTS inativo e do PIS/Pasep, por exemplo. “Mas é preciso que o governo aprove importantes reformas, como a da Previdência, para que a economia de sinais de recuperação consistentes”, disse.

A decisão da Usiminas de ligar o alto-forno em Ipatinga (apenas dois estão operando) está calcada na aposta de que os setores das indústrias, não só a automotiva e a de linha branca, possam se recuperar. “Não podemos ficar nesse vai-e-vem. É temeroso ver uma expectativa de retomada e logo em seguida uma inversão de tendência”, disse Nogami.

Para Lopes, do IABr, a expectativa é de que a produção do setor cresça 4,9% em 2018. “É importante lembrar que neste ano tivemos aumento de 33% das importações e a entrada da produção da siderúrgica de Pecém. O consumo aparente, de 5,2%, foi bem menor que a da produção.”

Área Social. A Fundação São Francisco Xavier (FSFX), braço social da siderúrgica mineira Usiminas nas áreas de saúde e educação, e a Prefeitura de Cubatão (SP) firmaram na semana passada, por meio de um acordo com contrato de concessão, a reabertura do Hospital Dr. Luiz de Camargo da Fonseca. O hospital estava fechado desde julho do ano passado.

Vencedora da licitação para gerenciar o complexo hospitalar nos próximos cinco anos, a Fundação São Francisco Xavier pretende investir R$ 9,3 milhões para transformar o Hospital de Cubatão em um centro de excelência de atendimento a saúde.

Após a aprovação do projeto de lei de cessão de uso dos imóveis pela Câmara Municipal, a FSFX deu início aos trabalhos de adequação sanitária da unidade hospitalar e adaptação do anexo do prédio (antigo Teatro Municipal), cujas obras deverão ser concluídas nos próximos meses. A instituição já começou a fazer compras, manutenção de equipamentos e de mobiliários para a reabertura do hospital.

Essa é a primeira grande iniciativa na área social da Usiminas, com unidades produtivas em Ipatinga (MG) e Cubatão, depois de um longo período de crise que tem atravessado.

 

Mais conteúdo sobre:
Usiminas Siderurgia Construção Civil

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.