Siderúrgicas veem mercado se recuperar

Em evento realizado na Argentina, empresários mostraram preocupação com crescimento da China no setor

Ariel Palacios CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2010 | 00h00

Otimismo, mas com precaução. Esse era o clima do encontro que reuniu, na Argentina, empresários da cadeia do aço. A reunião de encerramento do Instituto Latino-americano do Ferro e do Aço (Ilafa), contou com a presença de 1,3 mil executivos de empresas de 36 países - entre indústrias do setor siderúrgico, metalúrgicas e de mineração.

O evento avaliou os desafios do setor nos tempos pós-crise, especialmente a concorrência da China, que se transformou no principal pesadelo desses empresários. "A Ásia representava 25% do mercado mundial de aço em 1980. Hoje, equivale a 65% do mercado", disse Gordon Moffat, diretor-geral da Confederação Europeia de Siderurgia (Eurofer). "Os EUA e a União Europeia, que em 1980 representavam, respectivamente, 27% e 17%, atualmente equivalem a 11% e 7% do mercado mundial." Segundo Moffat, a América Latina, que equivalia a 5% do mercado, atualmente tem 4,7%.

André Gerdau Johannpeter, presidente da Gerdau, disse que há uma recuperação da produção de aço mundial, mas que "a China foi a protagonista dessa retomada". O executivo sustentou que a recuperação latino-americana foi mais rápida do que nos países desenvolvidos. No entanto, o problema é a "volatilidade dos preços" da matéria-prima. Para complicar, ele explicou que "as importações se recuperaram de forma mais rápida do que as exportações latino-americanas de aço". Gerdau citou o caso do Brasil, onde as importações de aço cresceram 250% em comparação com 2008, enquanto as exportações aumentaram apenas 50% no mesmo período.

Uma pesquisa realizada pela organização do evento deixou evidente o temor em relação à China. Do total, 73% dos presentes acreditavam que, em 2011, o país asiático será "uma grande exportadora de aço". Só 3% achavam que a China será um grande importador. Pelo levantamento, 59% dos empresários acreditam que a demanda de aço em 2011 será de 5% a 10% maior que em 2010.

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