Matthias Schrader/AP
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Siemens admite que pode enfrentar novos processos no País

Multinacional alemãalertou a acionistas que clientes ou o Estado podem ainda processar a empresa por danos no País

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE na Suíça, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2015 | 02h05

GENEBRA - A Siemens admitiu ontem a seus acionistas que as investigações no Brasil apontando para suspeitas de corrupção por parte da empresa alemã podem resultar em novos processos para a multinacional. Em seu informe financeiro, a Siemens apresenta uma lista dos casos em que está envolvida no País, entre eles o do metrô de São Paulo, e adverte que novos processos podem ainda surgir.

“Não se pode excluir que outros processos significativos por danos sejam abertos por clientes ou pelo Estado contra a Siemens”, alertou a empresa.

A Siemens informou a seus acionistas que, em maio de 2013, entrou em acordo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre “possíveis violações de regras antitruste em relação a vários projetos de metrô no Brasil”. 

Segundo a empresa, o Cade garantiu em março de 2014 imunidade de “multas administrativas” por “potenciais” crimes cometidos pela empresa. “Em conexão aos projetos de transporte, várias autoridades brasileiras começaram investigações relacionadas com atos criminosos (pagamentos corruptos, condutas anticoncorrenciais, influência indevida em contratos públicos). 

Segundo a Siemens, em 2014, a empresa ainda assinou um acordo com o Ministério Público do Estado de São Paulo “formalizando e estruturando a cooperação nas investigações”. 

Mas os documentos revelam que o MP paulista também abriu processos criminais contra “vários indivíduos, incluindo atuais e ex-funcionários da Siemens”. 

Em um dos casos, o MP acusa a Siemens e outras empresas de crimes em contratos de trens avaliados em R$ 2,5 bilhões. Segundo ela, “a Siemens está se defendendo contra essa ação”. A empresa também destaca que o Cade está conduzindo outros dois processos de investigação contra a empresa por “possível comportamento anticoncorrencial” entre 1990 e 2006. 

Cenário. Para 2015, a empresa admite que a situação da economia brasileira não é das mais favoráveis e que a desaceleração pode ser sentida nas operações da Siemens no país. 

No restante do mundo, a empresa indicou que sofreu uma queda de lucros de 25% no último trimestre de 2014, para um total de  1,1 bilhão. Em algumas divisões, a queda chegou a ser de 39%. 

Em seu anúncio ontem, a empresa não descartou ter de fazer demissões ao tentar reduzir custos no valor de  1 bilhão. Alguns dos executivos serão demitidos. “Não reconhecemos de forma adequada os sinais dos tempos, tais como as pressões de preços em alta e capacidade excedente”, disse Joe Kaeser, presidente da Siemens.

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