Silva substitui Gianetti na Camex

A reunião dos ministros que compõem a Câmara de Comércio Exterior, hoje, foi marcada pela mudança interna em sua secretaria-executiva. Roberto Giannetti da Fonseca deixou o cargo que ocupava desde fevereiro de 2000, depois de uma série de desentendimentos com seu chefe, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral. Durante o encontro de hoje, Robério Oliveira Silva, um profissional da área de comércio internacional mais afinado com o ministro, assumiu o posto.Amaral disse que o novo secretário tem experiência em comércio exterior, em especial na área de café. "Trabalhamos dois anos na Embaixada brasileira em Londres, promovendo o Brasil no exterior", afirmou o ministro. O novo secretário-executivo da Camex prometeu continuar o trabalho iniciado por Giannetti. "A exportação é o elemento mais importante para o crescimento da economia brasileira", afirmou Silva.Giannetti, em princípio, terá de cumprir o período de quarentena antes de voltar à iniciativa privada. Fontes do governo, entretanto, asseguraram que está colaborando com a campanha do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, como consultor para a área de comércio exterior - uma indicação de que poderá voltar ao governo, em caso de vitória tucana nas eleições.Ao anunciar sua saída da secretaria-executiva da Camex, em 22 de maio, Giannetti concordou que adotava um estilo bastante diferente do de Amaral. Mas insistiu que não nunca houvera discordância sobre os assuntos tratados. De fato, o ministro vinha se ressentindo com declarações públicas de Giannetti sobre temas do Desenvolvimento a respeito dos quais apenas ele, Amaral, deveria se pronunciar.O descompasso tornou-se mais evidente quando, no início de abril, Giannetti declarou-se contrário ao aumento de tarifas de importação para os produtos siderúrgicos. Embora essa idéia fosse compartilhada pelo ministro, Amaral preferia tratar a questão com mais diplomacia e expressou-se aborrecido com a indisciplina do subordinado. A saída de Giannetti, entretanto, era esperada desde o segundo semestre do ano passado, quando Amaral conseguiu finalmente tomar para si os principais poderes da secretaria-executiva da Camex.Robério Oliveira Silva, por sua vez, traz um perfil mais afinado com o de Amaral e entra na Camex ciente de seu limitado poder de ação. Acostumado às práticas diplomáticas, embora não faça parte dessa carreira, Silva trabalhou com Amaral ao longo de dois anos na Associação dos Países Produtores de Café, em Londres. Também foi designado secretário do mesmo Ministério do Desenvolvimento durante a curta gestão do atual ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer.

Agencia Estado,

06 de junho de 2002 | 19h35

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