Silvio Santos compra a rede Dudony

Com a aquisição da rede paranaense, as Lojas do Baú Crediário passam de uma só vez de 20 para 130 lojas

Márcia De Chiara e Evandro Fadel, O Estadao de S.Paulo

17 de junho de 2009 | 00h00

As Lojas do Baú Crediário, do empresário Silvio Santos, compraram a maior varejista de móveis e eletrodomésticos do Paraná, a Dudony. Em recuperação judicial desde o fim do ano passado, mais de dois terços dos credores da rede paranaense, entre fornecedores e bancos, aprovaram em assembleia a proposta feita pelo comprador.O Grupo Silvio Santos deverá assumir a empresa após a homologação do negócio pelo juiz Mário Seto Takeguma, da 1ª Vara Cível de Maringá, o que pode ocorrer dentro de dez dias, informa o vice-presidente do Grupo Silvio Santos, João Pedro Fassina.O negócio inclui 110 lojas, das quais 99 no Paraná e 11 em São Paulo, um centro de distribuição alugado em Maringá (PR), onde fica a sede da empresa, e 1.168 trabalhadores. A proposta aprovada pelos credores prevê o desembolso de R$ 33 milhões, dos quais R$ 25 milhões irão para os credores e o restante às detentoras da marca, que continuam sob fiscalização judicial até 2011. Segundo o vice-presidente do Grupo Silvio Santos, a compra será quitada em cinco anos, com a maior parte do desembolso entre o terceiro e o quarto anos. Uma parte do dinheiro para a aquisição é de recursos da própria empresa e, o restante, da geração de caixa da companhia adquirida."A outra solução seria a falência", diz o diretor jurídico da Dudony, Cleverson Colombo. "A aprovação do plano era uma questão social." A marca Dudony ficou de fora do negócio e permanecerá com a Distribuidora Maringá de Eletrodomésticos (Dismar) e a Markoeletro Comércio de Eletrodomésticos, que continuam como empresas atacadistas.Com a compra das 110 lojas, o Baú Crediário dará um salto. Das 20 lojas em funcionamento hoje, expandirá a rede para 130 pontos de venda numa arrancada só. Além disso, a companhia estreia no varejo virtual, já que 17 lojas da Dudony fazem vendas por catálogo. Para o ano que vem, a expectativa da companhia é faturar R$ 360 milhões com as 130 lojas, liderando as vendas de eletroeletrônicos e móveis no Paraná. Fassina destaca que o plano da rede prevê ter 224 lojas até 2013. Isso significa que novas aquisições fazem parte da estratégia da empresa. "Não iremos às compras até o final deste ano", diz ele, ressaltando que, a partir de agora, a rede vai se dedicar a incorporar a empresa adquirida. Mas observa que a companhia estará atenta para novos negócios. A última aquisição das Lojas do Baú Crediário ocorreu em novembro do ano passado, quando a empresa comprou oito lojas da Kikasa, na capital paulista. De acordo com o executivo, os planos de crescimento orgânico estão mantidos, apesar do foco em novas aquisições.Para iniciar o processo de incorporação, que deve durar 60 dias, as Lojas do Baú Crediário vão manter os 1.168 funcionários e pretendem abrir 500 vagas no Paraná, diz Fassina. Com isso, a rede terá mais de 2 mil funcionários, levando em conta os 500 empregados das Lojas do Baú Crediário.DISPUTANo mês passado, a assessoria do apresentador e proprietário da Rede Massa, com rádios e emissoras de televisão no Paraná, Carlos Roberto Massa, o Ratinho, tinha informado que ele também estava interessado na rede Dudony. Mas acabou não apresentando proposta. O Grupo Mercado Móveis, de Ponta Grossa (PR), também se interessou, mas por apenas 29 lojas. Fundada há 21 anos, a Dudony acumulou dívidas de R$ 104 milhões que a levaram à recuperação judicial no fim do ano passado. Na época, a rede atribuiu o pedido de recuperação judicial à crise econômica, com o corte abrupto nas linhas de crédito. O diretor jurídico da Dudony diz que a dívida atualizada está em R$ 95 milhões, envolvendo principalmente fornecedores e instituições financeiras. "Em relação à diferença (R$ 70 milhões), haverá perdão por parte dos credores."Ontem, antes da assembleia, um grupo de funcionários fez uma manifestação pedindo que a proposta apresentada pelo Baú fosse aceita.

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