Sinais animadores na construção civil

Depois de uma fase crítica de estagnação, o setor de construção civil vai gradualmente recobrando o ânimo

O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2016 | 04h00

Depois de uma fase crítica de estagnação, o setor de construção civil vai gradualmente recobrando o ânimo. Os últimos dados divulgados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) indicam que o Índice de Confiança da Construção (ICST) avançou 2,7 pontos em julho, em relação a junho, atingindo 70,7 pontos, o maior nível desde agosto de 2015 (72,4 pontos).

Padrão semelhante revelaram no mesmo período o Índice da Situação Atual (ISA-CST), com avanço de 1,0 ponto, indo para 62,7 pontos, a segunda alta consecutiva; e o Índice de Expectativas (IE-CST), com crescimento de 4,4 pontos, atingindo 79,3 pontos, o maior nível desde abril de 2015.

Tais resultados são muito baixos em termos históricos, como mencionou a FGV, mas podem ser indicativos de que o pior já pode ter passado. Há cerca de dois meses, no auge da crise política e com a indefinição sobre os rumos da economia, o setor amargou o seu pior momento. Mais recentemente, o clima começou a mudar.

“As indicações de retomada de obras paradas e de novas contratações nos programas governamentais, assim como as perspectivas mais positivas para a economia, reduziram o pessimismo setorial”, observou a coordenadora da FGV/Ibre Ana Maria Castelo.

O governo do presidente em exercício Michel Temer não demorou a perceber os efeitos econômico-sociais altamente prejudiciais que teria a paralisação abrupta do programa Minha Casa, Minha Vida, tendo determinado que as obras previstas, especialmente na chamada Faixa 1, tivessem continuidade.

De acordo com a mesma orientação, o Ministério do Planejamento anunciou há pouco que serão retomadas 2 mil obras inacabadas de pequeno porte, iniciadas dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Igualmente importante foi a fixação dos novos tetos de financiamento habitacional pela Caixa Econômica Federal, num ambiente de inflação sob controle, o que favorece a contratação de empréstimos.

Problemas permanecem, como evidencia o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da Construção, calculado pela FGV. Embora o Nuci tenha crescido 0,8 ponto em julho, em relação ao mês anterior, chegando a 64,4%, o maior nível desde março, ainda não voltou ao patamar do primeiro trimestre.

Apesar das sinalizações positivas, ainda não se pode confirmar uma tendência firme de recuperação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.