Sinais de crise já vêm desde 2012

CENÁRIO: André Borges

O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2015 | 02h01

O governo pode culpar São Pedro o quanto quiser, mas é consenso entre os especialistas na área que a crise que tem contaminado todo o setor elétrico poderia ter sido atenuada, caso medidas de redução do consumo tivessem sido tomadas. À parte a lambança financeira que tomou conta do setor, a crise operacional da geração de energia já dava sinais claros de seu potencial de estragos ainda em 2012.

Depois de encarar o fantasma do apagão em 2013, sem ter adotado medidas firmes ou campanhas que motivassem uso racional de energia, o governo mergulhou no período eleitoral no ano passado. Medidas de racionamento, que já eram tratadas como tabu pela cúpula do setor elétrico, passaram a ser termos proibidos no governo. Com os reservatórios minguados e as usinas térmicas no limite das operações, o País atravessou o ano sem cortes de energia, como prometeu o governo, mas a fatura dessa estratégia arriscada chegou.

Os grandes reservatórios das hidrelétricas passaram boa parte de 2014 colaborando com a maior parte da geração do País. O entendimento dos especialistas é de que a preservação das barragens poderia ter sido maior se medidas de racionalização de consumo tivessem saído do papel. Não se trata de punir o consumidor que usa mais energia. Antes disso, há espaço para premiar o usuário que reduz o consumo: quanto menos kW utilizado, por exemplo, maior a taxa de desconto na conta de luz. O governo, no entanto, ainda insiste que medidas desse tipo não são necessárias e aposta suas fichas na "bandeira tarifária", que elevou a conta em R$ 3 para cada 100 kWh consumido. Na prática, o efeito da medida sobre o consumo diário do cidadão é questionável. Para as distribuidoras de energia, a cobrança pode até elevar o caixa em algumas centenas de milhões de reais. Para o consumidor, é muito pouco para convencê-lo a desligar o ar condicionado, às 14h, depois de voltar do almoço, debaixo de um sol escaldante.

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