coluna

Louise Barsi: O Jeito Waze de investir - está na hora de recalcular a sua rota

Sinais de melhora

Começam a se juntar elementos que reforçam a aposta em que o pior da crise financeira para a economia brasileira ficou para trás.São dados ainda tímidos e condicionados a que a situação externa não se deteriore ou a que não sobrevenha nenhuma surpresa ruim. Mas apontam para a mesma direção e não podem ser desconsiderados.O primeiro desses elementos veio com os resultados da balança comercial. A última semana de janeiro já mostrara certa recuperação que, no entanto, não reverteu o déficit do mês, o primeiro em oito anos. Mas, na primeira semana de fevereiro, além de parecer mais consistente a reação das exportações, os resultados começam a contar com a chegada das safras aos portos.Outro dado que reforça a perspectiva de reversão veio com as estatísticas do setor de veículos. O mês de dezembro fora catastrófico; apontara queda da produção de 47% em relação ao mês anterior. Foi quando as montadoras enfrentaram altos estoques e a antecipação de férias coletivas.Os números de janeiro ainda são frágeis, especialmente no segmento de caminhões e colheitadeiras, onde nada parece encorajador. Mas no de automóveis já se nota recuperação. Os resultados ficaram longe dos melhores dias de 2008 (veja gráfico), mas mostram reação tanto em produção quanto em vendas. Falta saber se o setor conseguirá andar sem a muleta da redução do IPI.Novembro e dezembro foram meses devastadores no País. Em dezembro a produção industrial despencou 12,4% em relação a novembro e 14,5% em relação a dezembro de 2007, conforme indicam as estatísticas do IBGE.Como já foi apontado aqui, esse colapso se deveu a uma confluência negativa de fatores entre os quais teve mais peso a repentina contração tanto do crédito externo quanto do interno que se seguiu à quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, em setembro passado.Agora se sabe que as autoridades globais já não permitirão que outro banco importante derreta e que tudo está sendo feito para sanear o setor financeiro dos países ricos, ainda não recuperado da trombose global no crédito.A decisão de não deixar que grandes bancos virem pó é a principal razão pela qual, apesar do aprofundamento da recessão nos países ricos, já não há pânico nos mercados, especialmente agora que enormes pacotes de socorro vão sendo providenciados.Também se espraia a percepção de que, apesar do baque da já inevitável desaceleração do crescimento em 2009, o Brasil deverá sair melhor dessa crise do que qualquer país rico ou emergente. Seus bancos não estiveram metidos em nenhuma grande encrenca; o volume do crédito já se recuperou do pior, como atesta o presidente do Banco Central; o varejo está melhor, o que demonstra que o mercado interno continua vigoroso; a recuperação da economia chinesa tende a beneficiar as exportações brasileiras; e continuam promissoras as perspectivas do setor de energia (principalmente petróleo), de alimentos e de recursos minerais.O bom desempenho do mercado de ações no Brasil neste início de ano (veja o Confira) parece refletir o estado geral dos espíritos em relação à economia brasileira. Mas, não custa repetir, o organismo não registra mais febre. Ainda não há segurança de que a infecção tenha sido debelada.Volta ao risco - O desempenho do mercado de ações é forte. Neste início de ano (até ontem), o Ibovespa acumula alta de 12,1% e, em fevereiro, de 7,1%. Mas, para voltar ao nível máximo, o Índice Bovespa ainda teria de subir 73%.

, O Estadao de S.Paulo

10 de fevereiro de 2009 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.