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Sinais de melhora

Ainda não há certeza de que apareceu alguma luz no fim do túnel. Em todo o caso, pode-se dizer que não há nenhuma piora da situação do mercado financeiro internacional e que há meses não se repete a situação de pânico que se viu em setembro passado. Ao contrário, há sinais de melhora.Domingo, em entrevista concedida ao programa 60 Minutes, da CBS News, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, expôs sua aposta de que a recessão da economia americana chegará ao fim "provavelmente neste ano".Bernanke argumentou que a variável-chave que garantirá a virada da recessão é a normalização do funcionamento do mercado financeiro global. Em outras palavras, é a volta da confiança nos bancos que, por sua vez, restabelecerá o crédito tanto entre os próprios bancos como ao mercado produtivo. Bernanke foi além: "Veremos a recuperação começar no ano que vem."Mas vejamos o que se passa na tal variável-chave. Três dos bancos americanos que apareceram mais encrencados ao longo desta crise, o Citigroup, o JP Morgan Chase e o Bank of America, vieram a público na semana passada para comunicar a mesma novidade: a obtenção de bons resultados operacionais nos dois primeiros meses deste ano. Nesta semana, foi a vez de dois bancões ingleses: o Barclays e o HSBC, este último o maior do mundo, que semanas antes não foi capaz de esconder a magnitude de suas avarias.Ainda não se sabe como essa rentabilidade foi obtida nem o que acontece com a situação patrimonial desses bancos. O que se pode dizer é que os tais ativos podres continuam lá, como as pedras enormes que foram enfiadas na barriga do lobo enquanto ele dormia, tal como consta na história dos Sete Cabritinhos. Em todo o caso, há um ano esses bancos acusavam um prejuízo atrás do outro. Agora começam a apresentar resultados registrados com tinta preta.Sexta-feira, esta coluna (Resgate trilionário) ponderava que o anúncio da volta dos lucros dos três grandes bancos americanos ajudava o secretário do Tesouro, Tim Geithner, a ganhar tempo na execução da operação de socorro aos bancos, que previa o despejo de alguma coisa entre US$ 1 trilhão e US$ 2 trilhões pelo Tesouro americano.Hoje convém reparar em outro efeito, o mesmo que foi objeto dos comentários de Bernanke: a volta à rentabilidade de nada menos que cinco gigantes do mercado financeiro global é sinal claro de que já se conseguiu algum avanço em direção à normalização do mercado financeiro, condição que Bernanke considera imprescindível para o fim da recessão e o início da recuperação da atividade econômica global.A volta da rentabilidade dos bancos não significa ainda a regularização de sua situação patrimonial, mas ajuda nessa empreitada. Explica-se: a volta da rentabilidade tende a contribuir para que parte dos ativos podres em poder dos bancos recupere valor de mercado e, nessas condições, possa ser passada para a frente e ajudar na capitalização.Bernanke pode estar errado no timing da recuperação econômica, como antes falhou no timing do afundamento na crise. Em todo o caso, não há ninguém no mundo em condição melhor do que ele para avaliar a recuperação do mercado financeiro. ConfiraTambém no G-20 - No encontro do G-20 do último fim de semana, os ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais disseram a mesma coisa que Ben Bernanke: "Nossa prioridade é restaurar o crédito dos bancos e recuperar o sistema financeiro" - avisou o ministro das Finanças do Reino Unido, Alistair Darling, que falou por todos.Na entrevista de domingo, Bernanke confirmou que banco grande não pode quebrar: "O caso Lehman Brothers provou que não se pode deixar uma grande instituição financeira global falir no meio de uma crise financeira."

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