Sinais de moderação do déficit externo

Depois de um 2010 com ritmo muito acelerado, o déficit em conta corrente já mostra em 2011 algum sinal de moderação em seu crescimento.

Fábio Graner, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2011 | 00h00

Embora apresentando taxas mensais ainda bem elevadas e recordes, como ocorreu em maio, os números divulgados pelo Banco Central mostram que neste ano o saldo negativo no conjunto das transações de bens, serviços e rendas do País com o exterior oscilou, no acumulado em 12 meses, sempre próximo de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), nível semelhante ao verificado no fim de 2010.

Para se ter uma ideia mais clara dessa relativa acomodação, basta lembrar que só no primeiro semestre de 2010 o déficit acumulado em 12 meses saiu da casa de 1,5% do PIB para mais de 2% do PIB. E no restante daquele ano continuou crescendo acima da taxa de expansão de todas as riquezas produzidas pelo Brasil.

Com o déficit em conta corrente medido em 12 meses crescendo menos como proporção do PIB, reduz-se a preocupação com eventuais problemas de balanço de pagamentos no futuro, caso o cenário externo piore gravemente e as fontes de financiamentos sequem.

O movimento também pode ser interpretado como mais um sinal de que a economia brasileira já não cresce mais no mesmo ritmo impetuoso do ano passado, o que diminui a pressão inflacionária.

O diretor de pesquisas da associação Brain, André Sacconato, avalia que o ritmo menos intenso de alta do déficit externo de fato reflete a moderação da atividade econômica brasileira. Ele prevê que este indicador continuará crescendo, a taxas menores, e sem maiores riscos de crise. Mesmo em um cenário de piora no quadro internacional, o economista lembra que o Brasil está sentado sobre mais de US$ 300 bilhões de reservas internacionais, que podem suprir um sumiço repentino de dólares para cobrir o déficit em conta corrente.

Apesar do quadro mais tranquilo, o Brasil poderia estar bem melhor.

Mas a infraestrutura ainda precária, a alta carga tributária e os juros elevados, em ambiente de câmbio valorizado, têm dificultado um crescimento mais forte das exportações de produtos industrializados. E também incentivado a importação desses bens. É a velha agenda da competitividade, que tem sido motivo de muito discurso, mas na qual a política econômica ainda precisa avançar muito.

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