Rafael Arbex/Estadão
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Sinais evidentes de recuo do setor de serviços

Dados mostram pior resultado desde 2003

O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2014 | 02h05

Há quem acredite que um termômetro seguro do comportamento do setor de serviços é a frequência feminina aos salões de beleza. Mas esses estabelecimentos, que proliferaram nos centros de consumo nos últimos anos, passam por apertos com a queda de demanda. Muitos proprietários fecham as portas ou tomam empréstimos para cobrir a folha de pagamentos, segundo o Estado (21/9). A situação é agravada pela queda do ritmo do comércio varejista, que deve crescer apenas 0,5% em 2014, afetando as áreas de transporte, distribuição, marketing e a chamada pós-venda, ou seja, a assistência ao cliente para reparo ou troca de produtos.

Os dados se combinam para mostrar a retração do setor de serviços, que deve crescer entre 0,9% e 1% em 2014. É o pior resultado desde 2003. Setores que cresciam rapidamente estão revendo suas projeções.

A demanda de passagens aéreas domésticas ainda cresceu 0,6% em julho, mas o aumento médio anual, de dois dígitos de 2002 a 2011, caiu para 5,6%. A alta média anual das vendas de canais de TV por assinatura baixou de 25% para 12%.

Na venda e locação de imóveis, a tendência é de alta discreta de 1,5% entre 2013 e 2014. O avanço do crédito imobiliário, de 30% em 2013, deve cair à metade neste ano, em razão de critérios mais rígidos dos bancos na concessão dos financiamentos.

Milhões de consumidores estão endividados ou perderam a confiança na preservação do emprego. E essa é a maior preocupação econômica hoje, não obstante o emprego venha mostrando estabilidade nas regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE. O setor de serviços responde por 70% dos empregos do País. Até o momento, os empregadores evitaram demitir, mas já anteveem cortes no ano que vem.

Até nos restaurantes as filas de espera escasseiam, inclusive nos fins de semana, e nos bares há muitas mesas vazias. A tentativa de reduzir preços para atrair clientes só é válida se não resultar em prejuízo. Alguns empresários mal conseguem equilibrar receitas e custos, parte dos quais não para de subir. Exemplos são a carne e os frutos do mar.

Prenuncia-se, assim, um Natal fraco. O segundo trimestre foi ruim para os serviços, com alta de 0,2%, diz a economista Alexandra Ribeiro, da Tendências, prevendo um terceiro trimestre com crescimento de 1,2%. Sem uma forte reação no último trimestre, a expansão dos serviços poderá se limitar a 0,6%, mostrando o desalento do consumidor com a evolução da economia.

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