Sinais recentes da melhora de expectativas

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria mostrou que o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) cresceu pelo terceiro mês consecutivo

O Estado de S.Paulo

19 Julho 2016 | 03h00

Em contraste com as dificuldades visíveis em indicadores do IBGE, como o das vendas varejistas e dos serviços, cujo comportamento depende do emprego e da renda das famílias, o noticiário do fim de semana revela sinais de que o humor das empresas continua mudando para melhor, inclusive quanto à disposição de investir – ou seja, no item que retrata com mais precisão as expectativas de médio e longo prazos do empresariado. A pesquisa Focus realizada sexta-feira pelo Banco Central (BC) confirma o que vinha sendo constatado desde meados da semana passada.

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria mostrou que o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) cresceu pelo terceiro mês consecutivo e atingiu 47,3 pontos em julho. Ainda está abaixo do termo médio de 50 pontos que separa os campos negativo e positivo, mas avançou 10,5 pontos desde abril, com alta de 28%.

Reportagem do Estado de domingo mostrou que, graças à melhora das expectativas, aumenta a disposição de fundos e grupos estrangeiros de investir no País em energia e infraestrutura. A consultoria Tendências notou alta no consumo aparente de bens de capital entre março e abril, segundo o jornal Valor. Levantamento do site Contas Abertas mostrou que o setor público investiu mais entre os primeiros semestres de 2015 e 2016. 

Relatório do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), formado pelos 500 maiores bancos do mundo, afirmou que o Brasil volta a atrair a atenção de investidores estrangeiros e prevê aumento dos fluxos para o País em 2016 e 2017, se a política econômica não sofrer reveses. “O ajuste na política econômica conduzido pelo governo de Michel Temer tem sido um fator essencial para reduzir o medo dos investidores e aumentar as entradas de capital”, diz o relatório.

Sinais fortes de confiança do investidor estão no aumento das cotações em bolsa. O Índice Bovespa subiu 47% de 26/1 a 15/7 e empresas já analisam o lançamento de ações. Mais importante, o risco de calote do Brasil avaliado pelo credit default swaps (CDS) baixou mais de 500 pontos em dezembro para 292 pontos dia 15/7.

A pesquisa Focus reduziu de 5,83% em 8/7 para 5,7% em 15/7 a expectativa de inflação para 2017 e elevou o crescimento do PIB de 1% para 1,1%. Como notou o ex-presidente do BC Affonso Pastore o clima mudou: “Há entusiasmo, mas ainda não temos euforia”.

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