Sinais são de início de trégua nas altas de preços

ANÁLISE: José Paulo Kupfer

O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2013 | 02h07

O IPCA-15 de julho próximo de zero pode ser tomado como marco de partida para um período de trégua na alta de preços capaz de se estender até o fim do ano. Salvo eventos muito inesperados - tipo terremotos no mercado cambial -, a trajetória da inflação, no segundo semestre, deve percorrer uma descendente, mês a mês, no acumulado em 12 meses.

Há, de início, uma razão aritmética para isso, definida pela base de comparação. De agosto a dezembro de 2012, o IPCA escalou forte, subindo firme de 0,41% a 0,79%. Se o desenho da curva do IPCA mensal, daqui até o fim do ano, não é tão baixo quanto o número de julho e nem mesmo mostra tendência de recuo, em relação aos meses anteriores, é difícil que alcance níveis tão elevados quanto em 2012.

Assim, pelo menos de acordo com as projeções do momento, a perspectiva é de recuo nos índices acumulados, na medida em que variações mensais mais baixas forem substituindo outras mais altas. As projeções para a inflação anual, até agora, apontam para uma variação do IPCA em torno de 5,8% em 2013, mas o resultado de julho, inferior às expectativas, pode dar início a uma revisão para menos nas estimativas para 2013.

No resto do ano, os efeitos deflacionários inesperados do congelamento das tarifas de transporte urbano se dissiparão. Já as variações nos preços dos alimentos não devem manter o padrão baixista de julho e, possivelmente, de agosto, mas também não parecem dispor de força para repetir as explosões altistas do segundo semestre do ano passado e dos primeiros meses de 2013.

A falta de fôlego da atividade econômica, que começa a afetar o mercado de trabalho, provocando até uma retração no crédito ao consumo, ajuda a compor um ambiente mais propício a um período de alívio na inflação.

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