Sinal de alerta no leilão frustrado da Celg

Por falta de interessados, foi cancelado o leilão de venda do controle acionário da Celg D, a distribuidora que fornece energia a quase 99% do Estado de Goiás e havia sido incluída no programa de privatização em maio de 2015. Frustrou-se, assim, a primeira tentativa de privatização do governo interino de Michel Temer.

O Estado de S. Paulo

23 de agosto de 2016 | 03h14

Em 11 de agosto, faltando apenas oito dias para o leilão, a comissão de licitação constituída no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ainda acreditava na possibilidade de venda e manteve o cronograma que previa a realização do certame na semana passada.

A Celg D pertence à Eletrobrás (51%) e ao Estado de Goiás (49%) e está longe de ser uma empresa modelo. Em 2013, era considerada uma das piores distribuidoras do País pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), por causa do elevado número de horas de interrupção do fornecimento. O problema era – e é – a falta de investimentos.

Comparada a outras distribuidoras estatais listadas para serem privatizadas, a empresa pode ser atraente, mas, tudo indica, não ao preço mínimo de R$ 2,8 bilhões fixado pelo governo Dilma Rousseff e não alterado.

O secretário executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Pedro Pedrosa, admitiu que o governo deverá mudar as condições de preço e risco na próxima tentativa de venda da Celg D. Motivo: não bastaram as condições melhores já promovidas de renegociação de dívidas e de prazo para realizar investimentos nos próximos anos.

O presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira, disse a analistas que um novo leilão da distribuidora terá de ser marcado logo para não atrapalhar as privatizações de concessionárias do Norte e do Nordeste controladas pela holding estatal.

O governo alimentava expectativas quanto ao interesse de investidores estatais chineses, que já controlam parcela expressiva das linhas de transmissão. Entre esses investidores, a State Grid adquiriu, no mês passado, participação de 23,6% na CPFL, um dos maiores grupos privados de geração do País, e já se prepara para controlar essa empresa.

Sem ter atraído investidores de longuíssimo prazo na primeira tentativa de privatização, a Celg D será avaliada num cenário ainda recessivo e em que é incerto o prazo de recuperação do investimento. Não parece bastar o fato de que a Celg D atende a um mercado pujante, com forte presença do agronegócio.

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