Sindicalistas vão pressionar Congresso por reajuste maior do mínimo

As centrais sindicais decidiram jogar todas as fichas no Congresso Nacional para conseguir um reajuste maior para o salário mínimo em 2006. Aproveitando a fragilidade do governo na Casa, os sindicalistas marcaram para hoje uma série de reuniões com as lideranças partidárias e com os presidentes da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B - SP), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Ontem, os presidentes das centrais sindicais estiveram reunidos por mais de uma hora com os ministros do Trabalho, Luiz Marinho, da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do Planejamento, Paulo Bernardo, além do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Murilo Portugal, para reivindicar um salário mínimo de R$ 400,00 e a correção de 13% na tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). Os sindicalistas deixaram a reunião frustrados. Ouviram a apresentação dos ministros sobre os números da economia e receberam a promessa de que entre os dias 15 e 20 de dezembro será agendado um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para anunciar o valor do salário mínimo. Até lá, a área técnica do governo irá realizar os cálculos e discutir com as centrais sindicais e o Congresso fontes de recursos para cobrir um eventual aumento de despesa. O ministro do Trabalho avisou que os R$ 400,00 reivindicados são "incompatíveis com o orçamento". "Evidentemente que isso faz parte do jogo da negociação. Vamos ver qual a possibilidade real de avançarmos além dos R$ 321,00", disse o ministro. Marinho anunciou que o governo também se comprometeu a enviar no início do próximo ano um projeto de longo prazo de valorização do salário mínimo. O ministro disse que qualquer decisão sobre o mínimo ou o reajuste da tabela do imposto de renda terá que "caber no orçamento". Segundo ele, outras propostas disputam recursos com o salário mínimo, como por exemplo, o ressarcimento dos Estados das perdas geradas pela Lei Kandir. "A reunião foi improdutiva. Não avançou um centímetro do que queríamos. Por isso, vamos apostar todas as fichas no Congresso Nacional", resumiu o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, após a reunião com os ministros. Os sindicalistas argumentam que o valor de R$ 321,00 previsto na proposta orçamentária encaminhada ao Congresso é baixo. "Ninguém quer quebrar o Brasil, mas achamos que dá para ser um valor maior", disse Paulinho. Marinho justificou a ausência do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, informando que ele participava de audiência pública na Câmara dos Deputados. No entanto, o depoimento de Palocci já havia se encerrado há cerca de uma hora quando a reunião com os sindicalistas começou. Antes do encontro com o governo, que ocorreu no fim do dia, as centrais sindicais promoveram uma manifestação em Brasília que reuniu cerca de 5 mil pessoas. A Força Sindical realizou uma carreata na Esplanada dos Ministérios e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), uma passeata de mais de 10 km da sede da Contag até a Esplanada dos Ministérios. No entanto, uma passeata conjunta das centrais sindicais não ocorreu por causa da chuva forte. Os manifestantes acabaram sendo liberados mais cedo para voltarem aos seus Estados de origem. Apenas uma comissão de sindicalistas foi ao Ministério do Trabalho para a reunião de negociação com o governo.

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