Sindicato acusa Honda de ''assédio moral coletivo''

Montadora demitiu trabalhadores da fábrica de Sumaré por telegrama, durante processo de negociação com o sindicato e greve iniciada em 12 de maio

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2011 | 00h00

O Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região entrou ontem com denúncia de assédio moral coletivo contra a Honda do Brasil no Ministério Público. Paralelamente, entrou com pedido de dissídio coletivo no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). O sindicato reclama que a montadora demitiu funcionários por telegrama, em meio a um processo de negociação e após uma greve iniciada dia 12.

Na quarta-feira, a Honda anunciou 400 demissões, o equivalente a 12% do seu quadro de pessoal, formado por 3,4 mil pessoas na fábrica de Sumaré (SP). A empresa avisou ainda que 800 funcionários ficarão ociosos e estuda como evitar novos cortes.

Com dificuldade em importar componentes do Japão após o terremoto de 11 de março, a empresa vai reduzir a produção diária de 600 para 300 automóveis a partir de junho. Antes disso, os funcionários entrarão em licença remunerada a partir de segunda-feira. A fábrica produz os modelos Civic, City e Fit.

O diretor do sindicato, Eliezer Mariano, espera uma intervenção do TRT ainda hoje. "Questionamos a forma como as demissões foram feitas, de forma arbitrária." Ele também aguarda rápido posicionamento do Ministério Público, por tratar-se de um "conflito já instalado".

Em nota, a Honda disse que recorreu aos telegramas "por absoluta impossibilidade de encontrar os trabalhadores da linha de produção que estavam ausentes da planta em função da paralisação dos turnos proposta pelo sindicato". Informou que os demitidos começaram a receber ontem cartas explicando as dificuldades na produção e lembrou que não fazia demissões desde 1992.

A empresa não reconhece a greve e afirma que ocorreram paralisações por turno. O sindicato alega que há alternativas para evitar as demissões, como a redução da jornada e férias coletivas, recusadas nas negociações.

A Honda voltou a justificar o corte na produção. "Em função dos desastres naturais ocorridos no Japão, diversos fornecedores de componentes eletrônicos, que não podem ser substituídos facilmente, tiveram sua produção afetada. Com isso, o envio de peças para diversos países, inclusive o Brasil, foi prejudicado."

A empresa acredita que o desabastecimento vai continuar até o fim do ano, embora a matriz do grupo tenha informado no Japão que está tentando antecipar a retomada da produção nas fábricas dos fornecedores de peças.

Queda. Na quarta-feira, o diretor da Honda, Paulo Takeuchi, disse que a empresa previa para este ano alta de 5% na produção ante as 134,1 mil unidades de 2010. "Agora, a projeção é de queda de 20%." Já as vendas devem cair 30% ante as 126,4 mil unidades vendidas em 2010. O novo Civic, que seria lançado no segundo semestre, ficou para 2012.

No primeiro quadrimestre, a marca vendeu 36,8 mil carros, 8,4% menos que em igual período de 2010. O mercado como um todo cresceu 3,7%. A participação da marca nas vendas de automóveis e comerciais leves hoje é de 3,5%, ante 4,2% em 2009.

Toyota. A Toyota suspende hoje a produção na fábrica de Indaiatuba. É a última das três paralisações previstas pela empresa entre abril e maio para evitar o desabastecimento de peças que vêm do Japão. Não há previsão de novas paradas por enquanto.

Redução pela metade

300 veículos

por dia é para quanto vai cair a produção da Honda, que hoje é de 600 automóveis por dia

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