Dida Sampaio/Estadão
Sede do Banco Central em Brasília; servidores do órgão, que querem aumento de 26,3%, alertam que uma greve mais severa pode interromper diversas operações Dida Sampaio/Estadão

Sindicato de servidores do BC ameaça interromper Pix se Bolsonaro der reajuste só a policiais

Segundo o sindicato, uma greve mais forte poderia interromper também outras operações, como a distribuição de cédulas e moedas, a divulgação do Boletim Focus e o funcionamento do Sistema de Pagamentos Brasileiro

Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2022 | 11h09

Brasília - O Sindicato Nacional de Funcionários do Banco Central (Sinal) reforçou o início da greve da categoria nesta sexta-feira (1º) e disse que o movimento pode ser mais severo, caso o governo publique uma medida provisória com o reajuste dos policiais federais e deixe de fora os servidores do BC

Segundo o Sinal, uma greve mais forte poderia interromper, total ou parcialmente, o Pix, a distribuição de cédulas e moedas, as operações de mercado aberto, a divulgação do Boletim Focus (com projeções de economistas) e de “diversas taxas” e o funcionamento do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB).

Os servidores do órgão querem aumento de 26,3% para funcionários da ativa, aposentados e pensionistas. A remuneração anual de um analista do BC é de R$ 341,1 mil ou R$ 26,2 mil mensais. 

“Há um alto risco de ser publicada, até 2/4/2022, a Medida Provisória com o reajuste dos Policiais Federais. Se os Técnicos e Analistas do BC não estiverem nessa Medida Provisória, a greve será ainda mais forte e poderá interromper, total ou parcialmente, o Pix, a distribuição de moedas e cédulas, a divulgação do boletim Focus e de diversas Taxas, o funcionamento do do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), a mesa de operações do Demab e outras atividades”, disse o presidente do Sinal, Fábio Faiad, em nota.

Segundo o sindicato, o fortalecimento da greve pode até interromper o Pix porque o sistema funcionaria sem manutenção, com monitoramento precário.

Conforme mostrou o Estadão/Broadcast ontem, a MP com o reajuste dos policiais não deve ser editada até 2/4, mas uma ala do governo defende a possibilidade de aumento acima da inflação depois desse prazo, até 180 dias antes do fim do mandato presidencial. A reportagem ainda mostrou que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, mudou de posição e passou a defender a reestruturação das carreiras da autoridade monetária dentro do governo.

Na terça, em reunião com os sindicatos que representam os servidores do BC, Campos Neto afirmou que participou de reuniões no Palácio do Planalto na véspera a respeito da reestruturação das carreiras do BC, incluindo o reajuste salarial. Segundo Faiad, Campos Neto disse que vai tentar uma proposta em uma reunião ministerial na semana que vem. “Se vai apresentar uma proposta ou não, vamos ver semana que vem.”

Até agora, segundo o presidente do Sinal, não foi marcada outra reunião com Campos Neto ou com algum ministro. “Mas o sindicato reiterou a cobrança da reunião com o Presidente da República para tentar achar uma solução negociada.”

Faiad observou que a greve dos servidores do BC será feita respeitando a lei de serviços essenciais, mas destacou que o Pix e outras atividades do BC não se encontram dentro do escopo dessa lei, “portanto podem sofrer paralisações parciais e até totais”.

Para amanhã, está prevista uma reunião, provavelmente com a diretoria de Administração do BC, para definir os serviços essenciais. O Sinal ainda afirmou que as paralisações diárias de 14h às 18h, que ocorrem desde o dia 17 de março, vão continuar até amanhã. E que os atrasos no Boletim Focus e divulgação de taxas devem continuar.

O movimento já atrasou divulgações como a Pesquisa Focus, o resultado do Questionário Pré-Copom, o fluxo cambial, além da apuração diária da ptax. Na segunda, 28, também por causa da operação-padrão dos servidores, o BC disse que não divulgará nesta semana as estatísticas econômico-financeiras de fevereiro, como estava previsto. A assessoria da autoridade monetária disse que as datas de publicação serão divulgadas "oportunamente".

Faiad também afirmou que as entregas de comissões foram “impactantes”: 500 comissionados já entregaram suas comissões até hoje. “Esperamos avançar até 700 comissões na próxima semana (de um total de 1000 comissões, sendo 50% gerenciais e 50% de assessoramento).”

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Campos Neto passa a defender reajuste para servidores do BC às vésperas de ameaça de greve

Presidente do Banco Central participou de reuniões no Planalto a respeito da reestruturação da carreira do órgão

Antonio Temóteo, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2022 | 07h59

BRASÍLIA - Às vésperas da ameaça de greve dos servidores, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, mudou de posição e passou a defender a reestruturação das carreiras da instituição, incluindo o reajuste salarial.

Os servidores do órgão querem aumento de 26,6%. A remuneração anual de um analista do BC é de R$ 341,1 mil, ou R$ 26,2 mil mensais. 

Na reunião realizada na terça, 29, com representantes do Sindicato Nacional de Funcionários do BC (Sinal), da Associação Nacional dos Analistas do BC (ANBCB) e do Sindicato Nacional dos Técnicos do BC (SinTBacen), Campos Neto afirmou que participou de reuniões no Palácio do Planalto na segunda, 28, a respeito da reestruturação da carreira do órgão. 

As reuniões do presidente do BC no Palácio do Planalto não foram divulgadas na agenda pública. “Estou buscando encontrar uma solução específica para o BC, e não para todo o governo”, disse o presidente do banco. Além dos funcionários do BC, servidores do Tesouro Nacional e também da Receita estão se mobilização por acréscimo nos contracheques diantes da sinalização do presidente Jair Bolsonaro de só contemplar as carreiras policiais. 

Ele ainda afirmou aos servidores que há um entendimento no governo, com base em acórdão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e em um parecer da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), de que o prazo para a reestruturação de carreiras não acaba em 4 de abril e vai até até julho, antes do prazo de 180 dias anteriores ao fim do mandato presidencial. Outra ala do governo, no entanto, defende que, pela lei eleitoral, só é possível dar aumento acima da inflação até este sábado, 2.

Campos Neto relatou que já trabalha em uma minuta de proposta de reestruturação das carreiras dos servidores que será enviada ao Congresso.“Já estamos trabalhando em um projeto para o BC. Não temos como adiantar detalhes neste momento”, disse.

As afirmações de Campos Neto aos servidores representam uma mudança de postura. Assim como o ministro da Economia, Paulo Guedes, Campos Neto era contra  qualquer reestruturação e reajuste salarial para servidores no pós-pandemia.

Apesar das promessas, os servidores não se sensibilizaram e mantiveram o cronograma de início da greve, por tempo indeterminado, a partir de sexta-feira, 1 de abril.

Também presente no encontro, a diretora de Administração do BC, Carolina Barros, relatou que o Ministério da Economia está aberto ao pleito de realização de concurso público para a autoridade monetária. Na terça, ela se reuniu com o secretário de Gestão e Desempenho de Pessoal do Ministério da Economia, Leonardo José Mattos Sultani.

 

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Servidores fazem manifestação por 20% de reajuste na Esplanada dos Ministérios

A Fonasefe reivindica um reajuste salarial de 19,99% para recompor as perdas inflacionárias acumuladas no governo de Jair Bolsonaro

Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2022 | 12h19

Brasília - Servidores do Executivo, Legislativo e Judiciário, organizados no Fórum de Entidades dos Servidores Federais (Fonasefe) e no Fórum de Carreira Típicas do Estado (Fonacate), realizam nesta quarta-feira, 30, um ato na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, conforme os organizadores. A Fonasefe reivindica um reajuste salarial de 19,99% para recompor as perdas inflacionárias acumuladas no governo de Jair Bolsonaro

Chamado de “Ocupa Brasília”, a manifestação foi anunciada após “notícias de edição da Medida Provisória por parte do Governo Bolsonaro de reajuste apenas para carreiras de apoio ao Presidente”, disse, em nota, o Coordenador da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário e do MPU (Fenajufe) e também do Fonasefe, Thiago Duarte Gonçalves.

Parte dos servidores já anunciou greve, como os funcionários do Banco Central, prevista para começar nesta sexta-feira (1º). Mas outras categorias prometem iniciar uma “operação-tartaruga”, com funcionamento mais lento dos trabalhos.

"Governo Bolsonaro pode terminar seu mandato como o único Governo pós redemocratização a dar 0% de reajuste ao funcionalismo público, enquanto a inflação galopante corrói nosso poder de compra no supermercado, no posto de gasolina, no aluguel. Não pedimos nada além do que a recomposição inflacionária para todo o funcionalismo, sem discriminação ou favorecimentos", destaca Duarte.

Segundo Duarte, ocorreu uma reunião da Fenajufe com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, no dia 15 de março. A perspectiva é que o STF apresente projeto de recomposição inflacionária para seus servidores.

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