Sindicato contesta decisão por falta de prova

A demissão dos três auditores provocou forte reação da categoria, que fez até assembleia em Salvador, na última quinta-feira, para protestar contra "a forma como foi conduzido o processo administrativo disciplinar".

O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2013 | 02h06

Os auditores alegam desconhecimento da "existência de provas concretas" no processo disciplinar contra os colegas citados na Operação Persona. Eles argumentam que o relatório é "extenso e sem objetividade".

O presidente da Delegacia Sindical da Receita em Salvador, Luiz Fernando Nogueira, sustentou, na assembleia da classe, que não ficou comprovado o envolvimento de Silvio Rogério Ferreira Sande, Maurício Rocha Maia e Jair Rodrigues de Oliveira nas importações fraudulentas.

Uma comissão criada pelo sindicato avaliou o relatório de cinco mil páginas do procedimento disciplinar e "não identificou nada de conclusivo que pudesse incriminar os três auditores". Segundo os auditores, "o que existe são outras situações que nada têm a ver com a operação investigada".

Dagoberto Lemos, diretor de Defesa Profissional do Sindicato dos Auditores na Bahia, disse que a classe "tem medo de trabalhar". "O pessoal que desembaraça despachos de importação em Salvador agiu com os cuidados necessários", afirmou Lemos. "Depois de cinco anos de processo administrativo, não encontraram uma prova concreta, nada de corrupção. Também foram dois anos de escuta telefônica (durante a Operação Persona) e não há nenhum diálogo que comprometa os colegas."

O sindicalista disse que sua entidade e os auditores não querem proteger corruptos. "É corrupto? Rua para ele, quanto mais rápido possível. O que não queremos é que demitam servidor injustamente. Não estamos afrontando a Corregedoria, mas excessos punitivos devem ser evitados. Vivemos um momento muito delicado na Receita. O papel da Corregedoria é punir criminosos, mas não inocentes. Temos que aperfeiçoar esse sistema. Está na hora de a Corregedoria passar por um crivo." / F.M.

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