Sindicato contesta demissão de auditores

A demissão dos três auditores pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, por envolvimento na Operação Persona, deflagrada em outubro de 2007 para desarticular organização criminosa que fraudava importação de produtos da Cisco Systems Inc., maior fabricante mundial de equipamentos para redes, provocou forte reação da categoria, que fez até assembleia em Salvador, na última quinta-feira, 6, para protestar contra "a forma como foi conduzido o processo administrativo disciplinar".

FAUSTO MACEDO, Agencia Estado

10 de junho de 2013 | 09h50

Os auditores alegam desconhecimento da "existência de provas concretas" no processo disciplinar contra os colegas citados na Operação Persona. Eles argumentam que o relatório é "extenso e sem objetividade".

O presidente da Delegacia Sindical da Receita em Salvador, Luiz Fernando Nogueira, sustentou, na assembleia da classe, que não ficou comprovado o envolvimento de Silvio Rogério Ferreira Sande, Maurício Rocha Maia e Jair Rodrigues de Oliveira nas importações fraudulentas.

Uma comissão criada pelo sindicato avaliou o relatório de cinco mil páginas do procedimento disciplinar e "não identificou nada de conclusivo que pudesse incriminar os três auditores". Segundo os auditores, "o que existe são outras situações que nada têm a ver com a operação investigada".

Dagoberto Lemos, diretor de Defesa Profissional do Sindicato dos Auditores na Bahia, disse que a classe "tem medo de trabalhar". "O pessoal que desembaraça despachos de importação em Salvador agiu com os cuidados necessários", afirmou Lemos. "Depois de cinco anos de processo administrativo, não encontraram uma prova concreta, nada de corrupção. Também foram dois anos de escuta telefônica (durante a Operação Persona) e não há nenhum diálogo que comprometa os colegas."

O sindicalista disse que sua entidade e os auditores não querem proteger corruptos. "É corrupto? Rua para ele, quanto mais rápido possível. O que não queremos é que demitam servidor injustamente. Não estamos afrontando a Corregedoria, mas excessos punitivos devem ser evitados. Vivemos um momento muito delicado na Receita. O papel da Corregedoria é punir criminosos, mas não inocentes. Temos de aperfeiçoar esse sistema. Está na hora de a Corregedoria passar por um crivo." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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