Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Sindicato de funcionários do BC diz que 1.200 servidores já aderiram a movimento por reajuste

Segundo o Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), 1.237 auditores já haviam entregado os cargos até esta segunda-feira, 3, em um total de 7.500

Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2022 | 15h44

BRASÍLIA - A mobilização por aumento salarial está aumentando dentro do Banco Central. Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal), Fábio Faiad, 1200 funcionários sem cargos comissionados ou previstos para substituição já aderiram ao movimento — mais de um terço do total de servidores na ativa (3.500) —, se comprometendo a não assumir funções de comissão.

Na segunda-feira, 3, começou a rodar dentro do órgão outra lista virtual para entrega de cargos comissionados e comprometimento dos substitutos de não assumirem as funções — cerca de 1.000 funcionários (500 em cargos de chefia e outros 500 substitutos), segundo o sindicato. A entidade prevê divulgar um balanço com as adesões até o fim desta semana.

O sindicato também iniciou ontem uma rodada de reuniões virtuais com os vários setores da autarquia para explicar a mobilização e convencer o maior número possível de pessoas a aderir, no contexto da insatisfação de diversas categorias de servidores federais com o reajuste previsto apenas para policiais em 2022.

Um analista do BC, carreira de especialista, entra com salário de R$ R$ 19.197,06 e pode chegar a R$ R$ 27.369,67, segundo dados do boletim estatístico de pessoal do Ministério da Economia. 

Segundo o Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), 1.237 auditores já haviam entregado os cargos até esta segunda-feira, 3, em um total de 7.500.

“Teremos um documento coletivo com pessoas que vão entregar comissões e substituições eventuais e outra lista de pessoas que não vão assumir em hipótese alguma as comissões para conversar com o presidente Roberto Campos Neto. A ideia é falar que não temos condições de administrar o BC com essa situação de reajuste só para a Polícia Federal e não para o BC”, explica Faiad, do sindicato de funcionários do BC.

Além disso, o Sinal irá aderir às paralisações nacionais aprovadas pelo Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate) - a primeira está prevista para dia 18 de janeiro. Segundo Faiad, haverá um ato na frente da sede do BC em Brasília das 10h às 12h no dia 18, além de um protesto virtual no Brasil todo. “Se nada avançar depois da paralisação do dia 18, a ideia é discutir a possibilidade da greve a partir de fevereiro”, frisa Faiad.

Faiad ainda afirmou que o sindicato pediu uma reunião com o presidente do BC, Roberto Campos Neto, para discutir o assunto antes do fim de 2021, mas ele entrou de férias e não quis atendê-los. O Sinal está tentando marcar uma conversa no início deste ano.

Servidores do BC relatam, em condição de anonimato, que o clima é de insatisfação no órgão e desagrado com Campos Neto, que, na avaliação dos funcionários, poderia estar brigando mais pelos interesses da categoria, uma vez que tem entrada no governo Bolsonaro.

A sensação dos funcionários é que o clima de mobilização está esquentando dentro do órgão e que é provável que haja adesão à paralisação do dia 18. Mas alguns servidores relatam que há certa divisão dentro do órgão, com o movimento mais forte entre os servidores mais jovens. A perspectiva é de adesão mais baixa entre os comissionados que já estão há mais tempo dentro do BC.

Hoje, o governo publicou no Diário Oficial da União (DOU) um decreto que remaneja os níveis de funções comissionadas no Banco Central, mas o órgão esclareceu que a medida não está relacionada com a mobilização dos servidores. Segundo a autarquia, é apenas um remanejamento para fortalecer as atividades ligadas ao Pix e ao Open Banking (sistema em que os bancos trocam informações dos clientes), sem aumento no valor das comissões ou no custo total, previsto no decreto em R$ 5 milhões.

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