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Sindicato do ABC admite "motivação política" em ultimato da Volks

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopes Feijóo, admitiu que pode haver motivação política no ultimato dado na segunda-feira pela Volkswagen de fechar a unidade de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, demitindo 12,5 mil funcionários, caso os trabalhadores não aceitem o projeto de reestruturação da empresa, que prevê 3,6 mil cortes na unidade."Não duvido que a Volkswagen esteja contando com o ambiente eleitoral para pressionar os trabalhadores a aceitarem a proposta", disse Feijóo à Agência Estado.O sindicato realizará às 15h desta terça-feira assembléia com os trabalhadores da Volks para discutir o processo de reestruturação pretendido pela montadora. Durante toda a manhã desta terça-feira, os sindicalistas mantiveram contato com os funcionários da empresa, principalmente por intermédio dos integrantes da comissão de fábrica. Feijóo preferiu não adiantar qual estratégia e quais propostas os dirigentes sindicais apresentarão na assembléia.Ele observou, entretanto, que se de fato a empresa estiver utilizando o processo eleitoral para jogar a opinião pública contra os governos federal, estadual e municipal, e assim gerar mais pressão sobre o sindicato para aceitar a proposta de corte de gastos, ela poderá, num segundo momento, sofrer uma contracarga do mercado consumidor.Exemplo disso, lembrou o sindicalista, foi o episódio envolvendo a Ford, em dezembro de 1999, quando na semana do Natal a montadora comunicou por carta a demissão de 2,9 mil trabalhadores da unidade de São Bernardo. Diante da repercussão pública do episódio, os consumidores reagiram boicotando a marca e as vendas despencaram, o que levou a empresa a reabrir negociações com o sindicato e a solução do problema foi a diluição dos cortes em prazo de dois anos.Feijóo reconhece que a Volks enfrenta o processo de ajuste mundial e vê na ameaça de fechamento da fábrica de São Bernardo uma "postura radicalizada com os trabalhadores". "A nova filosofia da Volkswagen é de chantagear trabalhadores com a ameaça de transferir as fábricas para outros países, onde há precarização das relações do trabalho", acusou.Mesmo mantendo conversas no Comitê Mundial dos Trabalhadores da Volks, Feijóo entende que o Sindicato está sozinho nessas negociações. "Teremos que contar com nossas próprias forças", enfatizou. Ao mesmo tempo, ele admite a possibilidade de abrir contatos com o governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), para obter algum apoio nas negociações com a empresa."Não sabemos no que o governo estadual pode colaborar. O governo federal adotou as medidas para o câmbio e de financiamento das exportações, mas nada pode ser feito diretamente para uma indústria. Talvez o Estado possa colaborar acelerando a devolução dos créditos de ICMS das exportações, uma queixa freqüente das empresas", analisou."Inaceitável"O Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, ligado à Força Sindical, divulgou nesta terça-feira nota dizendo ser "inaceitável, sob todas as condições e hipóteses", a ameaça de fechamento da fábrica. "Tal ameaça é um atentado contra a estabilidade social", acrescenta o documento assinado pelo presidente do sindicato e também da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNTM) da Força, Eleno Bezerra.Ele afirmou que a CNTM se solidariza com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e com os trabalhadores da Volks e colocou à disposição "toda a sua estrutura para enfrentar a montadora"."Custa-me acreditar que, depois de querer reduzir salários, cortar benefícios, demitir e terceirizar, a empresa decida jogar com as vidas de milhares de famílias que dependem diretamente dela para viver, ameaçar a sobrevivência de fornecedores e os empregos de seus respectivos funcionários, prejudicar o comércio regional", afirma a nota. "A Volks é uma das multinacionais instaladas no Brasil mais beneficiadas com incentivos fiscais do município, do Estado e com recursos do BNDES. Ela tem, no mínimo, a obrigação de garantir empregos e cumprir com a sua função social", acrescenta, ao complementar que acredita em uma "saída negociável".

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