Sindicato dos Aeronautas defende intervenção na Vasp

A presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziela Baggio, defendeu nesta segunda-feira a intervenção do governo federal na companhia aérea Vasp. Para a sindicalista, essa seria uma forma de se evitar o "caos social" que provocaria a quebra da empresa. Baggio, que esteve em Brasília para uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) com a Vasp por causa dos atrasos no pagamento de salários dos funcionários, tentou também conversar com o vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, mas não teve sucesso.Segundo Baggio, a situação atual da Vasp pode ser enquadrada no artigo 188 do Código Brasileiro de Aeronáutica, que prevê a intervenção "nas empresas concessionárias ou autorizadas, cuja situação operacional, financeira ou econômica ameace a continuidade dos serviços, a eficiência ou a segurança do transporte aéreo". Para Graziela, a intervenção permitiria o afastamento dos dirigentes da empresa e a realização de uma auditoria nos números da companhia.O governo, por outro lado, preferiu a cautela. O Ministério da Defesa e o Comando da Aeronáutica passaram toda a segunda-feira à espera de explicações formais da companhia ao Departamento de Aviação Civil (DAC) sobre os cancelamentos de vôos ocorridos no final de semana. "Esse é o pior momento para uma empresa aérea entrar em crise porque é o pico das férias, por isso esperamos uma solução rápida", comentou o ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia. "As autoridades têm que agir com firmeza, mas é preciso ouvir a empresa", completou o ministro.Segundo ele, em 2004 ocorreram 36,5 milhões de desembarques domésticos, o maior da história do País, contra 30,7 milhões registrados em 2003. Os problemas financeiros da Vasp vêm se agravando há tempos. Técnicos do governo informaram que, na semana passada, a companhia voltou a apresentar três cheques sem fundo à Infraero, empresa que administra os aeroportos brasileiros, relativos ao pagamento das tarifas aeroportuárias pelo uso das instalações de pousos e decolagens.A situação, porém, já foi solucionada, de acordo com as mesmas fontes. Desde outubro de 2004, a estatal cobra antecipadamente a taxa referente ao uso dos aeroportos, que hoje é de R$ 35 mil. O valor corresponde ao número de vôos previstos pela empresa a serem operacionalizados diariamente.

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