Sindicato dos Metalúrgicos quer negociar cota feminina

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC estuda incluir como reivindicação nas próximas campanhas salariais um porcentual mínimo de contratação de mulheres pelas empresas do setor. O presidente da entidade, Sérgio Nobre, considerou hoje muito baixa a participação feminina de 14,5% no total da categoria na região, conforme número de pesquisa divulgada hoje pelo sindicato, feita em parceria com a subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

GUSTAVO URIBE, Agencia Estado

21 de julho de 2011 | 20h02

"Acho que teria de ter no mínimo 30%", afirmou. "Não tem cabimento não ter 30% de mulher na nossa categoria hoje. Para ter esse porcentual, tem de estabelecer uma cota e ir contratando ao longo do tempo porque há muitas mulheres qualificadas."

A pesquisa apontou que, em maio de 2011, o total de trabalhadores da categoria na região era de 107,5 mil. As mulheres, no entanto, somavam apenas 15.569. O porcentual de 14,5%, segundo Nobre, tem apresentado pouca oscilação nos últimos anos. O estudo mostrou ainda que o salário médio das metalúrgicas do Grande ABC é de R$ 2.319,05, 31,8% menor que o dos homens.

O presidente do sindicato explicou que, além do preconceito, o reduzido porcentual de mulheres no setor da metalurgia pode ser explicado por uma espécie de resistência econômica das empresas. "Para ter mulher, precisa ter vestiário feminino, segurança do sexo feminino e um departamento médico que esteja voltado também para a saúde da mulher", afirmou.

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