EFE/ Fernando Bizerra
EFE/ Fernando Bizerra

Sindicato quer manter condições de trabalhadores em eventual venda da Ford

O prefeito de São Bernardo do Campo se comprometeu a intermediar o pedido da entidade de audiência com o governador João Doria

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2019 | 20h27

O prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (PSDB) se reuniu na tarde desta quarta-feira, 27, com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, e se comprometeu a intermediar o pedido da entidade de audiência com o governador João Doria, do mesmo partido.

Doria tenta encontrar uma empresa interessada em comprar a fábrica da Ford e dar continuidade a um negócio que evite demissões. A fábrica tem cerca de 3 mil trabalhadores diretos e 1,5 mil terceirizados. Há pouco mais de uma semana, a direção da montadora anunciou que fechará a unidade até o fim do ano.

O governador disse na terça-feira, 26, ter recebido três consultas de interessados, sendo dois grupos multinacionais e um nacional. O grupo brasileiro é o Caoa, que confirmou seu interesse ao Estado. A empresa do brasileiro Carlos Alberto de Oliveira Andrade já produz caminhões em Goiás, sob licença do grupo coreano Hyundai. Também é dono de 50% da fábrica de carros da chinesa Chery e um dos maiores revendedores Ford no País.

Santana espera que o encontro ocorra até o dia 5, quando ele e mais dois dirigentes sindicais viajam aos Estados Unidos para um encontro com executivos da matriz da Ford para apresentar um projeto de viabilidade de negócio. “Além dos mais de 4 mil empregos que estão dentro da unidade, a saída de uma empresa desse porte traz muitas consequências negativas para a cidade e região”, disse o sindicalista.

Vocação

O sindicalista quer discutir com o governo do Estado a importância de que qualquer solução a ser encontrada deve garantir os empregos que estão dentro da fábrica, e nas mesmas condições. “São empregos que só podem ser viabilizados por meio da produção de veículos, seja caminhões ou automóveis. A vocação da nossa região é produzir veículos.”

Para Santana, é preciso envolver a sociedade na discussão, os governos pois, segundo cálculos do Dieese, os cortes da Ford podem afetar 24 mil trabalhadores ao longo da cadeia produtiva do setor automotivo. “Se pensarmos nas famílias desses trabalhadores, o número de impactados pode ficar entre 70 mil e 100 mil pessoas”, disse.

Na manhã desta quarta-feira, os funcionários entraram na fábrica, que está com a produção suspensa desde o anúncio do fechamento, e fizeram uma passeata interna. Na quinta-feira o sindicato realizará uma plenária em sua sede com os trabalhadores, às 9h, para avaliação e encaminhamentos do movimento. Nesta semana também houve assembleia e passeata pelas ruas de São Bernardo.

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