Sindicato tenta barrar cortes na Bosch

Metalúrgicos de Curitiba pedem intermediação do Ministério Público e entram com ação na Justiça do Trabalho

Marcelo Rehder, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2009 | 00h00

O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba quer barrar na Justiça as 900 demissões anunciadas pela fabricante de autopeças Bosch. Ontem, a entidade entrou com pedido de intermediação de mesa-redonda com a empresa no Ministério Público do Trabalho e com uma ação na Justiça do Trabalho pedindo uma liminar que suspenda as demissões, até que sejam negociadas outras opções."Foi uma decisão precipitada e arbitrária que nos surpreendeu", argumentou o presidente do sindicato, Sérgio Butka. "Há outros caminhos como o lay-off (suspensão temporária de trabalho), que empregamos na Renault, mas a Bosch insiste no caminho financeiramente mais barato e socialmente mais caro."A Bosch alega que teve de reduzir fortemente a sua produção por causa da retração do mercado automotivo mundial de caminhões. A fábrica de Curitiba produz bombas injetoras para motores movidos a diesel e exporta 60% da produção.Segundo a empresa, desde outubro de 2008, as vendas externas acumulam queda de 43%. Entre os principais destinos estão Estados Unidos, Europa e Ásia. No mercado doméstico, as vendas da Bosch recuaram 30%. A empresa ainda colocou outros 3 mil funcionários da fábrica em licença remunerada até o dia 28 deste mês.No início do ano, a Bosch tentou negociar com o sindicato um acordo de redução de salários e jornada. O problema, segundo sindicalistas, é que a empresa não apresentou nenhuma garantia de manutenção do nível de emprego, diferentemente do que foi estabelecido em dezenas de acordos desse tipo em várias partes do País. "A empresa poderia reduzir salário e jornada e no dia seguinte demitir centenas de pessoas", observou Butka. "Sendo assim, a proposta da redução foi amplamente reprovada em assembleia de trabalhadores na porta da fábrica."As demissões nas autopeças, principalmente nos segmentos de automóveis de passeio e utilitários leves, concentraram-se no período de outubro de 2008 a fevereiro. Segundo o Sindipeças, entidade das empresas do setor, foram 31,7 mil demissões no período. A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reanimou o mercado doméstico e reduziu o ritmo dos cortes.

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