Sindicato tenta barrar entrada de funcionários da Embraer

Fabricante de aviões anunciou o corte de 20% do seu efetivo por causa da crise financeira

Paulo Maciel e Ricardo Valota, Central de Notícias

20 de fevereiro de 2009 | 02h01

Após a Embraer anunciar a demissão de cerca de 20% do seu efetivo, integrantes do Sindicato dos Metalúrgicos bloquearam a avenida Brigadeiro Faria Lima, no Jardim Martin Cererê, em São José dos Campos(SP), no Vale do Paraíba, para impedir a entrada dos 800 funcionários do terceiro turno da empresa, na noite de quinta-feira, 19. A Polícia Militar teve de ser acionada. Veja também:De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise Os sindicalistas pararam os ônibus que traziam os funcionários e os obrigavam descer dos coletivos. A fabricante de aeronaves Embraer divulgou comunicado informando que, em decorrência da "crise sem precedentes que afeta a economia global", está reduzindo seu quadro de 21.362 empregados em 20%, o que acarretará mais de 4 mil demissões. A empresa destaca que apesar de sediada no Brasil, depende fundamentalmente do mercado externo e do desempenho da economia global - mais de 90% de suas receitas são provenientes de exportações, pouco se beneficiando, portanto, da resiliência que o mercado doméstico brasileiro vem demonstrando. As áreas operacional, administrativa e de liderança, incluindo a eliminação de um nível hierárquico na estrutura gerencial, estão entre as afetadas. A assessoria de imprensa da companhia afirmou não poder informar a modalidade de demissões, se direta ou por Plano de Demissão Voluntária (PDV). Durante a noite, o presidente Lula se reuniu com o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, para discutir as demissões na Embraer. O sindicalista disse que o presidente teria ficado indignado e irritado com a atitude da empresa e que Lula pretende se reunir com a direção da Embraer. Previsões A Embraer também anunciou na quinta uma segunda revisão das estimativas para 2009. Alegando os impactos da crise financeira internacional, a fabricante de aviões reduziu a projeção de entrega de aeronaves no ano para 242 unidades, ante previsão anterior de 270 aviões. Por conta da redução no volume, a receita também foi revista de US$ 6,3 bilhões para US$ 5,5 bilhões em 2009. Os planos de investimentos para o ano, por sua vez, foram reduzidos em US$ 100 milhões, para US$ 350 milhões. A previsão inicial da receita para 2009 era de US$ 7,1 bilhões, que foi revisada para US$ 6,3 bilhões no final do ano passado. Os investimentos estavam estimados inicialmente em US$ 600 milhões e foram alterados para US$ 450 milhões. No caso das entregas, a Embraer pretendia encerrar 2009 com 350 unidades, em novembro a projeção foi reduzida para 270 unidade.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.