Amanda Perobelli/Reuters
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Sindicato vai até sede da Ford, nos EUA, tentar reverter fim de fábrica no ABC

Encontro será na cidade de Dearborn, no Estado de Michigan; Doria diz que vai ajudar Ford a encontrar comprador para fábrica

Renato Jakitas e Caio Rinaldi, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2019 | 19h49

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC acertou nesta quinta-feira, 21, uma reunião com a direção mundial da Ford, nos Estados Unidos, para discutir a decisão da empresa de encerrar a operação da fábrica de São Bernardo do Campo, na região do Grande ABC.

O encontro será na cidade de Dearborn, no Estado de Michigan, e acontece após solicitação dos sindicalistas que se disseram "surpreendidos pelo anúncio de fechamento da planta", última terça-feira, 19. A data do encontro está sendo acertada entre os participantes e deverá ser definida nos próximos dias.

Nesta quinta-feira, o presidente do Sindicato, Wagner Santana, reuniu-se com a procuradora do Ministério Público do Trabalho de São Bernardo, Sophia Villela de Moraes e Silva, para tratar da situação dos trabalhadores. A unidade do ABC emprega 4,2 mil funcionários. “Não vamos desistir de manter uma empresa com essa importância em nossa região”, destacou, em nota, o sindicalista.

Novo dono

Também nesta quinta, o governo de São Paulo e a Ford se reuniram para definir a busca de um comprador para a unidade fabril de São Bernardo do Campo. "Em reunião longa, evidentemente dura, tentamos encontrar soluções viáveis para a Ford seguir produzindo em São Paulo", declarou o governador João Doria (PSDB), em coletiva de imprensa.

A Ford confirmou, em nota, que vai atuar com o governo do Estado para encontrar, "com urgência", um comprador para a fábrica. A companhia afirmou que as demais unidades da montadora no Brasil serão mantidas - além das fábricas em Camaçari (BA), de carros, e em Taubaté (SP), de motores, a empresa tem uma pista de testes em Tatuí (SP) e um centro administrativo em São Bernardo.

"Em relação à fábrica de São Bernardo, com cerca de dois mil funcionários, governo e Ford irão buscar um comprador, de modo a garantir o emprego dos trabalhadores", disse o governador. De acordo com ele, a unidade de Taubaté emprega 1.260 funcionários.

As reuniões com possíveis compradores terão início já na próxima semana, declarou Doria. "O governo ajudará a Ford a encontrar um comprador para o parque fabril de São Bernardo até o fim de 2019", explicou. "A ideia é que os trabalhadores mantenham seus empregos, ainda que outra marca assuma."

Doria negou que haja um esvaziamento da produção de veículos no Estado de São Paulo. A avaliação foi corroborada pelo prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando. "Com exceção da Ford, o setor automotivo tem contratado em São Bernardo e em todo Grande ABC", disse o prefeito. 

Ele afirmou que, apesar de a reunião não ter entrado na discussão sobre incentivos fiscais, a prefeitura atendeu a "todos os pleitos da Ford à prefeitura nos últimos dois anos". 

Fim das operações causou surpresa

O anúncio de encerramento das atividades da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo pegou o governo de São Paulo e a prefeitura de surpresa. "A decisão não foi comunicada previamente, nem houve qualquer tipo de solicitação", disse Doria. A montadora produz caminhões e o modelo Fiesta na unidade.

Segundo ele, "a decisão da Ford não foi fundamentada em questões fiscais, mas sim em linha com a estratégia global da montadora". "Não há como reverter esta decisão", disse. "A solução é encontrar um comprador que, preferencialmente, possa aproveitar o parque fabril e a ampla experiência dos funcionários lá alocados." 

O secretário da Fazenda e Planejamento de São Paulo, Henrique Meirelles afirmou que "o setor está passando por mudanças estruturais em escala global e é preciso entender esta situação".

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que não foi chamado para este primeiro encontro do governo com a Ford, será convidado a participar "em momento oportuno", disse Doria. 

De acordo com o prefeito de São Bernardo, o fechamento da fábrica deve provocar um impacto na arrecadação de cerca de R$ 18 milhões. "São R$ 4 milhões de Imposto sobre Serviços (ISS) e outros R$ 14 milhões de Impostos sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS)", explicou.

Para Meirelles, entretanto, este impacto não se confirmará. "Havendo comprador para a fábrica, não haverá qualquer impacto sobre empregos e arrecadação. O Brasil está crescendo e o ambiente é favorável para encontrar interessados", disse o ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central. / COLABOROU ANDRÉ ÍTALO ROCHA

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