Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Greve dos Correios: sindicatos iniciam greve nesta quarta-feira após mediação do TST

Segundo representantes dos funcionários, a direção da estatal se nega a negociar; Correios alegam que proposta das federações supera o faturamento anual da empresa

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2019 | 22h52
Atualizado 11 de setembro de 2019 | 15h18

Sindicatos de funcionários dos Correios anunciaram greve a partir da noite da última terça-feira, 10. Os trabalhadores afirmam que o objetivo da mobilização é impedir a redução de salários e de benefícios. Eles também se colocam contra a privatização da estatal, que está no radar da secretaria de desestatizações do governo federal.

No início da tarde desta quarta, 11, a empresa afirmou que "a paralisação parcial dos empregados pelas representações sindicais da categoria não afeta os serviços de atendimento da estatal". Segundo os Correios, estaria em prática o chamado Plano de Continuidade de Negócios, que determina medidas como deslocamento de empregados, remanejamento de veículos e a realização de mutirões.   

A empresa alega ainda que, de acordo com um levantamento parcial realizado na manhã desta quarta-feira, 11, 82% do efetivo total dos Correios no Brasil está trabalhando regularmente, e que o objetivo é "minimizar os impactos à população".

 

Uma possível paralisação dos trabalhadores dos Correios era discutida há mais de um mês. Em 30 de julho, os sindicatos suspenderam o indicativo de greve após o início de uma negociação medidada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST).

De acordo com Fischer Moreira, secretário de imprensa da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), a mediação foi suspensa e a greve foi iniciada após os Correios se recusarem a seguir com a negociação.

"Quando o TST propôs a prorrogação do processo negocial, deu prazo até sexta-feira (30) pra a gente se posiconar. As assembleias aprovaram, mas os Correios avaliavam que não tinha o que ser negociado", afirma.

Moreira afirma que, nesta quarta-feira, 11, a adesão ao movimento já ocorre em todos os Estados da federação. Inicialmente, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos e Similares de São Paulo (Sintect-SP), a greve havia sido aprovada por assembleias em São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins e Maranhão.

 

O que dizem os Correios

Os Correios afirmaram, por meio de nota enviada ao Estadão, que participaram de dez encontros na mesa de negociação com os representantes dos trabalhadores. A empresa alega que apresentou, durante os encontros, "a real situação econômica da estatal e propostas para o Acordo dentro das condições possíveis, considerando o prejuízo acumulado na ordem de R$ 3 bilhões".

Ainda de acordo com a estatal, "as federações expuseram propostas que superam até mesmo o faturamento anual da empresa, algo insustentável para o projeto de reequilíbrio financeiro em curso pela empresa".

Os Correios afirmam ainda que o principal compromisso da direção da empresa é "conferir à sociedade uma empresa sustentável". A estatal disse que "conta com os empregados no trabalho de recuperação financeira da empresa e no atendimento à população".

Negociação — Conforme amplamente divulgado, os Correios estão executando um plano de saneamento financeiro para garantir sua competitividade e sustentabilidade. Desde o início de julho, a empresa participa de reuniões com os representantes dos empregados, nos quais foi apresentada a real situação econômica da estatal e propostas para o acordo dentro das condições possíveis, considerando o prejuízo acumulado, atualmente na ordem de R$ 3 bilhões. As federações, no entanto, expuseram propostas que superam até mesmo o faturamento anual da empresa.

Vale ressaltar que, neste momento, um movimento dessa natureza agrava ainda mais a combalida situação econômica da estatal. Por essa razão, os Correios contam com a compreensão e responsabilidade de todos os seus empregados, que precisam se engajar na missão de recuperar a sustentabilidade da empresa e os índices de eficiência dos serviços prestados à população brasileira.

 

Tudo o que sabemos sobre:
privatizaçãoCorreiosgreve

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.