Sindicatos apelam a governador e ministro pela Schincariol

A Confederação Nacional e a Federação Paulista dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação encaminharam ofícios, nesta quarta-feira, ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e ao ministro do Trabalho e Emprego, Ricardo Berzoini, pedindo a intervenção do governo para garantir os 7 mil empregos diretos gerados pela cervejaria Schincariol em todo o Brasil. Segundo os documentos, existe a ameaça de paralisação total das sete fábricas mantidas pelo grupo, caso os donos e diretores continuem na prisão.Acusados de sonegação e outros crimes contra o fisco, os administradores da Schincariol foram presos no último dia 15, pela Polícia Federal, durante a Operação Cevada, desencadeada pela Receita. No ofício dirigido a Alckmin, o presidente da Federação, Melquíades de Araújo, afirma que os empregados da indústria vivem em clima de apreensão desde a prisão. "Há ameaças da família detentora do capital acionário de encerrar as atividades, o que seria lamentável para todos." A nota informa que os 50 sindicatos paulistas, reunidos nesta quarta-feira no Conselho de Representantes da Federação, manifestaram solidariedade aos trabalhadores da empresa e pediram a intervenção do governador para que a empresa permaneça funcionando. Foi pedida, ainda, uma audiência com Alckmin.No ofício dirigido ao ministro Berzoini, o presidente da Confederação, Artur Bueno de Camargo, manifesta o apoio às ações no sentido de apurar os fatos denunciados pela justiça e punir os responsáveis. "No entanto, os trabalhadores do Grupo Schincariol não têm nenhuma responsabilidade por esses fatos e não podem, nesse grave momento, ficar desamparados." Segundo Camargo, os empregos devem ser preservados. Ele pede uma audiência para discutir a questão com o ministro.Os sindicalistas decidiram também se reunir com representantes da Schincariol. O objetivo, segundo Araújo, é ajudar a empresa na busca de soluções para a crise, evitando demissões. "Vamos procurar os advogados ou quem sobrou na fábrica de Itu. Se for preciso, vamos falar com o juiz que os mantém presos e com o delegado chefe da Polícia Federal." Segundo ele, só depois dessas medidas é que haverá mobilização popular. "Se não conseguirmos resolver nessas instâncias, aí vamos colocar os trabalhadores na rua." Produção vai parandoA fábrica de Itu continuava funcionando nesta quarta-feira, mas com produção baixa. Alguns produtos engarrafados na unidade, como a água mineral, já não estavam sendo produzidos. "Se prender todos que sonegam, faltará cadeia", diz o sindicalista.O presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Estado de São Paulo, Melquíades de Araújo, disse que o governo também é culpado pela crise da Schincariol por manter impostos muito altos. "Se os impostos fossem mais baixos, haveria menos sonegação."Falando ao Estado, ele criticou a forma de atuação da Receita e da Polícia Federal no episódio. "Prenderam todo mundo e estão levando a empresa ao fechamento. Se o governo está preocupado com empregos, por que está mantendo toda a direção da empresa na prisão?" Araújo considerou que a ação foi muito violenta e não levou em conta o papel social da empresa na geração de empregos. "A Schincariol sempre cumpriu corretamente todos os acordos que fizemos." Para ele, essa medida beneficia apenas os concorrentes, "que são muito poucos", e contribui para a formação de um monopólio no setor. "Se tirar a Schincariol do mercado, vira monopólio e isso não ajuda a criar empregos." Araújo diz que as pequenas são praticamente "obrigadas" a sonegar para não quebrar, pois a carga tributária é muito alta. "Se prender todos os que sonegam impostos nesse País, vai faltar cadeia."

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