Stringer/Reuters
Stringer/Reuters

coluna

Coluna Dan Kawa: Juro baixo é bom, mas impõe desafio ao investidor

Sindicatos denunciam McDonald's na OCDE por casos de assédio em sete países

Foram incluídos na denúncia internacional 23 casos registrados no Brasil, pelo Ministério Público do Trabalho; rede diz que irá analisar casos

Douglas Gavras, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2020 | 15h07
Atualizado 18 de maio de 2020 | 19h46

Um grupo de sindicatos de trabalhadores de sete países vai entregar  uma denúncia coletiva à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apontando episódios de assédio moral e sexual, além de racismo em lojas do McDonald's em todo o mundo.

No caso do Brasil, 23 episódios foram incluídos na denúncia internacional encaminhada à OCDE, e todos os episódios já estão sendo analisados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). O documento será enviado ao Dutch National Contact Point (NCP), na Holanda, que é responsável por observar as diretrizes da OCDE para empresas multinacionais, como a rede de fast-food.

Em 2019, o Ministério Público do Trabalho do Paraná recebeu denúncia de 23 casos de ex-funcionários da rede, relatando assédio sexual e discriminação racial. Os casos do Brasil fazem parte de um documento elaborado pela União Geral dos Trabalhadores (UGT).  

“É um alarmante e inaceitável padrão de assédio sexual e racial no Brasil, que agora sabemos que ocorre também em várias outras partes do mundo”, diz Ricardo Patah, presidente da UGT. “O McDonald’s assiste a tudo isso passivamente, sem tomar medidas efetivas para assegurar um local de trabalho melhor para seus funcionários.” 

"Como o McDonald's deixou de atuar para criar um local de trabalho seguro, o governo holandês deve usar essa queixa para ajudar os trabalhadores a enfrentarem efetivamente o assédio desenfreado que ocorre em várias operações mundo afora", diz Sue Longley, secretária geral da União Internacional de Trabalhadores de Alimentação (International Union of Foodworkers). 

No documento, as entidades sindicais de países como Brasil, Chile, Colômbia, Reino Unido e Estados Unidos detalham as falhas da administração global do McDonald's em lidar com o assédio sexual desenfreado e a violência de gênero.

Nos Estados Unidos, por exemplo, há uma denúncia de trabalhadores que acusaram seus supervisores de conduta imprópria, incluindo tentativa de estupro, exposição indecente, toques indesejados e ofertas sexuais. Eles afirmaram que foram ignorados ou até punidos quando denunciaram os casos à empresa. 

Uma outra denúncia vem da França e envolve um gerente do McDonald's que teria instalado uma câmera em um vestiário feminino, para filmar secretamente mulheres se trocando.

A denúncia também envolve dois grandes bancos de investimento, que, juntos, detêm participação de US$ 1,7 bilhão no McDonald's: APG Asset Management, na Holanda, e Norges Bank, na Noruega, sendo este último o oitavo maior investidor da rede de lanchonetes.

Outro lado 

Ao Estadão, a empresa afirmou que está engajada em conversas para promover ambientes de trabalho mais respeitosos e inclusivos. "Acreditamos que temos a responsabilidade de agir quanto a essa questão e estamos comprometidos em promover continuamente mudanças positivas. Analisaremos a denúncia assim que a recebermos."

No Brasil, a Arcos Dorados, que opera a marca McDonald's no País, diz que não tolera práticas de assédio ou discriminação. "Em relação às queixas mencionadas no material, já havíamos prestado todos os esclarecimentos ao Ministério Público do Trabalho e também foi feita uma investigação pelo sindicato local diretamente com os funcionários dos restaurantes, que não confirmou essas denúncias."

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.