Sindicatos gregos preparam greve de 24 horas

Mobilização ocorre após Christine Lagarde ter advertido que os atrasos na implementação das reformas econômicas no país elevam o déficit financeiro do país 

Priscila Arone, da Agência Estado,

25 de setembro de 2012 | 18h34

ATENAS - Sindicatos gregos se preparam para uma greve de 24 horas contra novas medidas de austeridade na quarta-feira, 26 depois de a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, ter advertido que os atrasos na implementação das reformas econômicas no país elevam o déficit financeiro do país.

Funcionários públicos, professores, advogados, marinheiros e trabalhadores de outras categorias foram convocados por seus respectivos sindicatos para uma paralisação de 24 horas, a terceira deste ano, contra o projeto de novos cortes orçamentários.

"SOS - salvem o país, mas acima de tudo, seu povo", dizem as principais confederações sindicais do país, a GSEE, que representa os trabalhadores do setor privado e, e a ADEDY, do funcionalismo público, em pôsteres pendurados em postes em toda a capital grega.

"Salários, aposentadorias e benefícios têm sido cortados há 2 anos e meio e o 'monstro' do déficit da dívida continua invencível, exigindo constantemente novos sacrifícios", disseram os sindicatos em comunicado.

Duas greves gerais foram realizadas contra pacotes de austeridade anteriores em fevereiro, mas esta é a primeira paralisação enfrentada pela atual coalizão de governo, liderada pelo primeiro-ministro conservador Antonis Samaras, que assumiu o poder em junho.

Novo pacote

O governo de Samaras quer impor outro pacote de austeridade - pendente desde junho - no valor de 11,5 bilhões de euros em cortes e outros 2 bilhões de euros em receita fiscal adicional para desbloquear uma parcela dos empréstimos da União Europeia e do FMI.

Está em jogo uma parcela de 31,5 bilhões de euros, que Atenas precisa para pagar os salários de seus funcionários e aposentadorias, recapitalizar os bancos gregos atingidos pela rolagem da dívida e para pagar 6 bilhões de euros em dívidas com empreiteiros privados.

Porém, esta nova rodada de cortes pode não ser suficiente para que a Grécia obtenha o resgate e coloque o país nos trilhos. Na segunda-feira, Lagarde advertiu que os atrasos na implementação do programa de resgate da Grécia, incluindo as privatizações, ampliaram o déficit de financiamento do país.

Os sindicatos planejam a interrupção de uma série de serviços na quarta-feira em Atenas. Os trens não funcionarão, as balsas ficarão nos portos e os jornalistas pretendem fazer uma paralisação de quatro horas durante o dia.

A associação de comerciantes também convocou seus integrantes a fecharem seus negócios em todo o país, embora tais mobilizações, no passado, não tenham sido seguidas com rigor. As informações são da Dow Jones.

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