Sindicatos, indústria e comércio condenam juros de 16%

A decisão unânime do Banco Central em manter pelo segundo mês os juros básicos em 16% ao ano recebeu também crítica unânime de sindicalistas, empresários e comerciantes. Todos os segmentos do setor produtivo disseram que o crescimento da economia será comprometido se a atual política monetária continuar conservadora.Segundo nota da CUT, "é fundamental que o País não fique a mercê das decisões mensais do Copom e que, além das metas fiscais em execução, o País também tenha metas anuais que apontem a geração de empregos, aumento do salário mínimo, juros e outras que sirvam de parâmetro para o investimento nas atividades produtivas e para o crescimento econômico". Também em comunicado a Força Sindical diz que "a insensibilidade social do governo compromete todo o segundo semestre". A nota diz ainda que "o governo virou as costas aos trabalhadores e curva-se aos interesses dos banqueiros e especuladores".O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado Armando Monteiro (PTB-PE), disse que a decisão não o surpreendeu, mas acha possível que, já no próximo mês, o comitê retome a trajetória de queda da taxa básica. "Não aplaudimos", disse. Ele atribui a decisão ao receio das pressões inflacionárias decorrentes do impacto do reajuste dos combustíveis e dos custos de depreciação da taxa de câmbio, que ocorreu no mês passado. Para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que distribuiu um comunicado, a decisão do Copom já pode estar sendo influenciada pela meta de inflação fixada para 2005, que é de 4,5%, um ponto percentual abaixo da atual. A entidade defendeu que o Conselho Monetário Nacional, na reunião deste mês, reveja e reduza "o ritmo de convergência para a meta de inflação de longo prazo." Também em comunicado, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) afirmou que a decisão do Copom "parece ser justificada tendo em vista a situação da economia". A entidade acredita que o ritmo de queda da taxa Selic será mais lento e defendeu a redução do juro bancário, "a começar pela diminuição dos depósitos compulsórios e dos tributos sobre as operações financeiras". A Fecomércio-RJ cobrou avanços nas "reformas microeconômicas, como a Lei de Falências, a portabilidade dos cadastros bancários, a reforma tributária e os marcos regulatórios" para facilitar o acesso ao crédito.

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