André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Sindicatos de servidores do BC mantêm paralisação após reunião com Campos Neto

A mobilização dos servidores do BC foi iniciada após a indicação do governo federal de que só atenderia as demandas salariais das categorias policiais; paralisação está marcada para quarta-feira, 9

Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2022 | 20h23

BRASÍLIA - Após reunião com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, os sindicatos que representam os servidores do órgão decidiram manter a paralisação marcada para a próxima quarta-feira, 9, de 8h às 12h. Também está mantida a sinalização de greve a partir de 9 de março, caso não haja avanço nas negociações por um reajuste salarial igual ao prometido pelo governo federal aos policiais.

Participaram da reunião o Sindicato Nacional de Funcionários do Banco Central (Sinal), a Associação Nacional dos Analistas do Banco Central (ANBCB) e o Sindicato Nacional dos Técnicos do Banco Central do Brasil (SinTBacen).

Segundo o presidente do Sinal, Fábio Faiad, o encontro com Campos Neto, que ocorreu de forma virtual, foi positivo em relação aos pleitos de reestruturação de carreira, mas quanto à demanda de reajuste salarial o impasse continua, já que a decisão está fora da alçada da autarquia.

Em relação à reestruturação da carreira, Faiad afirmou que pode haver espaço para que servidores e diretoria do BC convirjam para um texto a ser apresentado para o governo. Após a conversa com Campos Neto, os sindicatos continuam reunidos com a diretoria de Administração para discutir detalhes, segundo o presidente da ANBCB, Henrique Seganfredo.

Mas, em relação ao reajuste, há "jogo duro". "Sobre o reajuste salarial, o impasse continua. Ocorre que tal impasse não está dentro do BC, mas sim no governo. Os representantes do governo dizem que não haverá reajuste para ninguém, mas alguns ministros e deputados da base governista já deixaram bem claro que o aumento dos policiais federais está garantido", disse Faiad.

A mobilização dos servidores do BC foi iniciada após a indicação do governo federal de que só atenderia as demandas salariais das categorias policiais. O Orçamento de 2022 foi sancionado com a previsão de R$ 1,7 bilhão para reajuste do funcionalismo, negociado para atender os policiais, mas o aumento efetivo depende de atos do Poder Executivo.

Os sindicatos contabilizam adesão de cerca de 50% da categoria às listas de entrega de cargos comissionados e de não assunção aos postos, de um total de 3.500 servidores do BC. A entrega, porém, não é imediata, mas uma sinalização do que pode acontecer se não houver resposta satisfatória às demandas. A expectativa do sindicato é de que a adesão aumente a 65% até o dia 9, já que janeiro é um período em que muitos servidores tiram férias.

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