Sindipeças não teme competição de argentinos

Desde as medidas econômicas anunciadas pelo governo argentino, indústrias brasileiras dos mais diversos setores refazem estimativas de lucro naquele país em 2002. Para o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), o anúncio da desvalorização do peso argentino não deve afetar significativamente os negócios das empresas nacionais de peças, pelo menos antes de seis meses.Segundo o diretor de comércio exterior da associação, Elias Mufarej, não basta apenas que se desvalorize a moeda argentina para que as empresas locais se tornem competitivas. "As brasileiras estão muito mais avançadas e recebem investimentos constantes e altos desde 1998", afirmou.De acordo com dados do próprio Sindipeças, em 1998 foram injetados US$ 1,580 bilhão na indústria brasileira de autopeças, principalmente nas filiais de grandes multinacionais. Em 1999, este valor caiu para US$ 1,020 bilhão; em 2000, US$ 1,1 bilhão e, no ano passado, a expectativa era de que fossem investidos outros US$ 800 milhões.Mufarej acrescentou que as companhias argentinas do setor precisam ganhar a confiança dos compradores estrangeiros, principalmente no que se refere à capacidade de produção. Ele afirmou ainda que grande parte do setor argentino depende muito de matéria-prima de outros países, o que aumentará os custos de produção em dólares. A indústria brasileira levaria a vantagem de já ter iniciado e estar muito avançada em seus processos de nacionalização de produção.Acordo automotivoPara Mufarej, o acordo automotivo existente entre Brasil e Argentina, que prevê déficit de até 10% entre os dois países, deverá ser inteiramente refeito pelos governos, com a anuência das montadoras. Ele acredita que este porcentual deverá crescer, principalmente para que as montadoras possam aumentar a produção em suas fábricas na Argentina. "O maior interesse é delas, que têm negócios e operações nos dois países", disse.Leia o especial

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