Sinopec quer parceria com Petrobrás no pré-sal

Diretor executivo do grupo chinês diz que a estatal vai aumentar os investimentos no Brasil, e prioridade é fazer negócios com a estatal brasileira

SABRINA VALLE / RIO, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2012 | 03h05

A China quer aumentar sua participação em blocos exploratórios em mar no Brasil e aguarda nova rodada de licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O diretor executivo da estatal chinesa Sinopec, Fu Chengyu, disse ontem que a petroleira elevará os investimentos no Brasil e já tem clara a estratégia de expansão: associar-se à Petrobrás.

Fu garantiu que a companhia chinesa, com investimentos de US$ 12 bilhões no Brasil desde 2004, não será operadora de campos. "Acreditamos que a parceria é um bom caminho para nós, especialmente com uma companhia local, que entende melhor as regras do governo e as necessidades da sociedade", disse Fu após sessão fechada no fórum de sustentabilidade corporativa da Rio+20.

Recentemente, houve rumores de que a Sinopec seria uma de duas empresas chinesas interessadas em comprar uma fatia da OGX, num negócio que poderia chegar a US$ 7 bilhões. Mas, quando perguntado se parceria é principalmente com a Petrobrás ou inclui a petroleira do empresário Eike Batista, Fu foi taxativo.

"Principalmente com a Petrobrás. A Petrobrás é a melhor empresa que conhecemos, acredito que seja nosso melhor parceiro aqui. Não somos melhores que eles. Eles têm um entendimento (do mercado local), então confiamos neles."

Na área de exploração e produção, a Sinopec (40%) tem associação com a espanhola Repsol (60%) na Bacia de Campos e recentemente confirmou grande potencial do campo Pão de Açúcar, com 700 milhões de barris de óleo leve.

No momento, a Sinopec tem 29 funcionários no Brasil dedicados a identificar oportunidades de negócios, estudar as leis, o sistema de taxação e regras de conteúdo locais. Outras áreas, como refino, petroquímica e distribuição, também estão no radar.

A Sinopec já tem parcerias com a Petrobrás, mas não em exploração e produção. O gasoduto Cabiúnas-Vitória (ES), por exemplo, com cerca de 300 quilômetros de extensão, foi lançado em 2006, em cerimônia com a presença do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do então presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, e do embaixador da China, Chen Duqing.

Segundo especialistas, a China busca acesso a reservas de petróleo para garantir o fornecimento futuro. O projeto, de longo prazo, é feito por meio de suas companhias, quase todas estatais, em várias regiões, como África e América Latina. No Brasil, Fu diz que não há cifras definidas, mas os US$ 12 bilhões até agora investidos certamente crescerão significativamente.

"Com o mercado crescente no Brasil e a boa relação de Brasil e China estamos confiantes de que teremos mais investimentos no País", disse.

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