Sintoma de inadimplência ainda é muito incipiente

Entre 2013 e 2014, o número de cheques compensados caiu de 838,1 milhões para 755,8 milhões, quase 10% menos. E, dos 755,8 milhões de cheques compensados, foram devolvidos 15,4 milhões - ou 2,04% -, segundo a consultoria Serasa Experian.

O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2015 | 02h02

Entre 2013 e 2014, houve uma redução de quase 1,4 milhão no número de cheques devolvidos, embora porcentualmente tenha ocorrido um pequeno acréscimo na comparação entre os dois anos: a devolução correspondeu a 2% dos cheques em 2013 e a 2,04% em 2014.

O interesse pelos números relativos aos cheques compensados está em avaliar os riscos de inadimplência, num momento em que a economia está estagnada, os juros estão em alta e cresceram as demissões de pessoal - por enquanto, localizadas.

Regiões mais desenvolvidas apresentam menor volume de cheques devolvidos. Nas Regiões Sudeste e Sul, as devoluções, em 2014, foram de 1,45% e de 2,36% dos cheques compensados. Mas nas Regiões Nordeste e Norte esses porcentuais são mais que o dobro - de 4,55% e 4,66%, respectivamente.

Além disso, quanto mais desenvolvida a região, menor o uso de cheques como meio de pagamento. Em São Paulo, o porcentual de cheques devolvidos pela segunda vez por falta de fundos foi de apenas 1,2% no ano passado, menor porcentual em cinco anos.

O Indicador Serasa Experian de Cheques sem Fundos mostra o comportamento dos titulares de cheques nos diversos Estados. Em Sergipe, Amapá e Roraima, por exemplo, o índice de devolução de cheques é altíssimo - supera 10%. Mesmo em Brasília, onde a renda por habitante é superior à do resto do Brasil, o calote por emissão de cheques sem fundos chegou a 3,74% em 2014, três vezes acima do índice registrado em São Paulo.

A devolução de cheques é um bom indicador da solvência dos emitentes, mesmo que os brasileiros estejam usando cada vez menos o cheque como instrumento de pagamento. A preferência pelos cartões de débito é crescente, pois essa operação reduz os riscos de quem recebe. E, quando os fornecedores dão preferência ao recebimento de cheque, fica a dúvida se é caso de uso de contabilidade paralela (caixa 2) ou do alto grau de confiança nos clientes (ou das duas coisas juntas).

O que está claro é que menos pessoas emitem cheques e menos estabelecimentos querem recebê-los. Os meios eletrônicos de pagamento favorecem a adimplência.

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