Sintomas mais agudos de crise de inadimplência

A gravidade da situação das empresas ficou clara nos levantamentos da Serasa Experian, constatando que, em abril, 161 firmas pediram falência, 23,8% mais do que em abril de 2014. Foi o pior resultado mensal em três anos, superando em 15% o número de falências solicitadas em março (140).

O Estado de S. Paulo

14 Maio 2015 | 03h00

Dos pedidos de abril, 85 foram feitos por micro e pequenas empresas (52,7% do total). O quadro é preocupante, pois, segundo o Sebrae-SP, 27% das empresas de menor porte fecham no primeiro ano de vida. Pelos dados de abril, não só novos empreendimentos foram atingidos, mas firmas há muito no mercado.

Se as 33 empresas médias que pediram falência (20,4% do total) forem somadas ao número de micro e pequenas nas mesmas circunstâncias, o porcentual sobe para 73,1% – mostrando os riscos por que passam empresas desse porte, que constituem a maior parte da iniciativa privada no País. É uma ameaça ao empreendedorismo.

A conjuntura também foi ingrata com as empresas de grande porte: 43 entraram em processo falimentar em abril. Só 4 destas pediram recuperação judicial. Nas micro e pequenas houve 54 pedidos e, nas médias, 29. Ao todo, os requerimentos de recuperação cresceram 30,7% em relação a março.

Pedidos de falência e de recuperação judicial estão em geral ligados ao desaquecimento da demanda. As vendas do comércio caíram 2,3%, em abril. Mais inflação e crédito mais escasso e mais caro já bastariam para pegar empresas no contrapé. Mas a isso se acrescem as altas na energia elétrica e nos combustíveis.

Entre os consumidores, a inadimplência subiu 15,8% entre os primeiros trimestres de 2014 e de 2015, segundo a Serasa Experian. Os consumidores sofrem com o aumento de preços e a dificuldade de manter o emprego. A massa salarial poderá cair em relação a 2014.

Famílias endividadas pagam juros altos em cartões de crédito e cheque especial, pressionando a inadimplência. Em fins de março, 55,6 milhões de pessoas – 1,5 milhão mais só no primeiro trimestre –, quatro em dez brasileiros, estavam com a “ficha suja”, impedidas de obter crédito.

Para fazer caixa, as empresas anunciam promoções e liquidações. E em muitos casos estão negociando com os clientes em atraso de até 60 dias. Depois disso, contratam cobradores. A Serasa Experian tem feito feirões Limpa Nome em São Paulo. Trata-se de iniciativa típica de períodos de recessão.

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