Sistema desperta desconfianças

Há casos de perdas de até 80% do investimento

Andrea Vialli, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

12 de janeiro de 2009 | 00h00

O desempenho da previdência privada ao longo de 2008 desagradou tanto àqueles que tinham investimentos em fundos de pensão quanto aos que apostaram em planos de previdência aberta - os PGBLs e VGBLs oferecidos por bancos. De baixo rendimento a perdas com aplicações na Bolsa, os investidores enfrentaram um ano difícil.O engenheiro civil José Francisco Halcsik aposentou-se em 2007 pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e ao longo de todo o ano passado tentou se aposentar pelo Visão Prev, entidade que gerencia os planos de previdência do grupo Telefônica. Ele acumula uma série de perdas com fundos de pensão. Começou a contribuir em 1977, quando ainda era o plano vitalício do sistema Telebrás. "Na época, o fundo não tinha investimentos em ações. Eram imóveis, empréstimos, shopping centers , CDI e CDB, características de investimentos de longo prazo."Halcsik conta que nos anos 1990 perdeu quase 80% dos investimentos com os planos econômicos Bresser e Collor. Em 2000, dois anos após a privatização das telecomunicações, migrou para o plano TC Prev, que tinha como patrocinadora a então Telesp Celular, hoje a operadora Vivo. Em 2007, os contribuintes tiveram que migrar novamente para a Vivo Prev, que faz parte da Visão Prev. "Foi uma perda histórica. De 10% a 20% dos investimentos foram retidos pela patrocinadora no processo de migração", diz. No fim do ano passado, com o agravamento da crise econômica e a volatilidade das bolsas, teve uma nova perda. "Quem optou por plano de previdência com aplicação em fundos moderados acabou perdendo 30% do total máximo aplicável em ação, que era 30% do investimento. Tive rendimento negativo no trimestre passado", afirma. "Minhas perdas foram grandes. São depósitos mensais e todo o 13º salário de quase 35 anos", lamenta.O médico Marcos Costa Nobre, 50 anos, também enfrenta problemas para mudar o plano de previdência privada - no caso, um PGBL da Real Previdência, no qual investe desde 1995. No fim de 2008, insatisfeito com o rendimento mensal do plano - em torno de 0,33% ao mês - , solicitou a portabilidade para um plano de perfil conservador do Banco Itaú. Embora tenha visto o gerente do banco fazer a migração, ela não se concretizou. A parcela seguinte da contribuição foi debitada de sua conta corrente. "O dinheiro não está em nenhum dos bancos", conta. Agora, ele tenta resolver a situação com a Superintendência de Seguros Privados (Susep), autarquia que tem poder de regular esse mercado. Apesar de pagar um outro plano de previdência - de renda reversível temporária para a filha de 11 anos -, o médico perdeu a confiança no sistema."Não sei se voltaria a fazer um plano de previdência. Talvez seja melhor investir em imóveis. Só espero que o dinheiro não desapareça."

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