Felipe Rau|Estadão
Fabiano Nascimento realiza monitoramento constante dos coqueirais Felipe Rau|Estadão

Sistema multiplica produtividade dos coqueirais

Cada coqueiro das fazendas da Obrigado produz, em média, 230 frutos por ano; na natureza, árvores dão 50 cocos por ciclo

Fernando Scheller, de Conde (BA), O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2016 | 05h00

A produção dos cocos da Obrigado se estende por 6 mil hectares. Todas as fazendas da empresa ficam ao redor da fábrica instalada na entrada do município de Conde, a 150 km de Salvador. A companhia, no entanto, só cobriu um terço da área com coqueirais. Para garantir o equilíbrio natural, o restante do terreno é ocupado por áreas de preservação de Mata Atlântica.

O objetivo é garantir que a produção ocorra sem intervenções desnecessárias. Para isso, criou-se um sistema que mede, árvore a árvore, a presença de nutrientes e de água. Os coqueirais foram divididos em glebas – cada uma delas é cuidada por um profissional denominado arista. Esses funcionários passam o dia coletando informações sobre as plantas e fornecendo-as às centrais de produção.

Um dos aristas é Fabiano Nascimento. Há três anos na Obrigado, ele havia trabalhado como mototaxista e numa plantação de eucalipto antes de ser contratado pela companhia. Pouco depois, foi promovido a arista. “Eles foram reconhecendo meu trabalho, e aos poucos me habituei a trabalhar com as plantas”, conta.

A partir das informações coletadas por amostragem pelos aristas, a empresa determina a necessidade de irrigação e de fertilizantes para as plantas. Cada coqueiro é identificado com uma placa e um código de barras. O sistema de irrigação alimenta cada uma das árvores. A central que bombeia água e fertilizantes usa dados como a incidência de chuvas para dosar a quantidade de “alimento” aos coqueirais. “Se choveu e o solo está úmido, bombeamos menos água”, diz o coordenador agrícola, Robério dos Santos. A dosagem dos nutrientes precisa ser cuidadosa, explica Santos, porque a empresa tem padrões para evitar a contaminação de lençóis freáticos. A presença de fertilizantes no solo não pode ultrapassar 60 centímetros de profundidade.

A Obrigado fez um cruzamento de espécies para obter a variedade que domina suas fazendas e demora mais a crescer. Por isso, os coqueirais da fazenda são “baixinhos”, bem diferentes das árvores que os turistas veem nas praias baianas.

As medidas de seleção de espécie, irrigação e fertilização garantem às propriedades uma produtividade bem acima da média. Enquanto um coqueiro na natureza produz, em média, 50 frutos por ano, a média da Obrigado está em 230 cocos.

Tudo o que sabemos sobre:
SalvadorMata AtlânticaSantos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.