Sistemas monetário e bancário bloqueiam acordo com FMI

O programa monetário e a reestruturação do sistema bancário continuam sendo objeto de desavenças entre os técnicos do Fundo Monetário Internacional e os da equipe econômica do governo de Eduardo Duhalde. Há uma semana em Washington, técnicos do ministério de Economia discutem os números e avançam na área fiscal e em temas como os reajustes das tarifas públicas, os controles na conta corrente da balança de pagamentos e uma flutuação com menos intervenção do Banco Central. Segundo informações de fontes do Ministério de Economia, a área monetária do FMI propôs um esquema de securitização dos ativos remanescentes do sistema bancário que não foi aceito pelo governo. Enquanto a equipe de Roberto Lavagna defende um sistema flexível em que cada banco utilize sua margem de como adaptar-se ao novo panorama, o FMI quer um programa com o menor número possível de questionamentos, como os amparos legais, descongelamento de dinheiro ainda preso no "corralito" e no "corralão". O FMI também pede regras precisas sobre como intervir, liquidar ou fazer fusões de bancos e ainda, uma redução dos bancos públicos.O que estaria faltando nestas negociações entre o FMI e o governo de Duhalde que já dura 10 meses, é encontrar a forma de equilibrar as duas propostas. O ministério de Economia argumenta que se o "livrinho" de David Hoelscher for cumprido à risca, os bancos desapareceriam. Isto porque o responsável pela área monetária do FMI, Hoelscher, é autor do manual do organisno sobre as linhas de resolução bancária, o qual diz que "os procedimentos para a liqudação dos bancos devem estar claramente descritos nas leis nacionais e os bancos insolventes que não podem ser reabilitados ou vendidos devem ser fechados ou liquidados o mais rápido possível". Ora, com o alto grau de falta de liquidez dos bancos na Argentina e de um patrimônio negativo dos bancos, não sobrariam muitos no país se a norma de Hoelscher fosse aplicada. É isso o que quer evitar o ministro Roberto Lavagna para "não aprofundar a desconfiança sobre a Argentina". Os custos do debate com o FMIA Argentina paga um alto custo para cumprir com seus compromissos com o Fundo Monetário Internacional e pela falta de um acordo com este organismo que negocia com o país há 10 meses. Um estudo do Centro de Estudos da Situação e Perspectivas da Argentina, da Universidade de Buenos Aires (UBA), revelou que se os organismos internacionais de crédito tivessem refinanciado todos os vencimentos da dívida de 2002, o dólar estaria valendo cerca de 2,80 pesos e haveria dois milhões de pobres a menos na Argentina. Segundo o estudo, "a pressão dos organismos mundiais de crédito por cobrar suas dívidas gera um círculo vicioso que, ao reduzir o montante das reservas, faz subir a inflação e joga na miséria camadas crescentes da sociedade".A investigação é baseada no impacto da queda das reservas internacionais do Banco Central sobre a cotação do câmbio, a taxa de inflação e o aumento da denominada linha de pobreza. Se este ano, o FMI tivesse refinanciado os cerca de US$ 3,1 bilhões de vencimentos da dívida pagos com as reservas, estas estariam hoje em US$ 12,5 bilhões e, em consequência, a cotação do câmbio seria de 2,80 pesos por dólar. O estudo diz ainda que apesar da declaração de default, o governo argentino pagou com reservas, entre janeiro e setembro deste ano, um total de US$ 4,2 bilhões de dólares, dos quais US$ 1,28 bilhões referentes a juros, e US$ 2,9 bilhões a capital. Isto significa que a Argeninta ja pagou 40% do total de vencimentos de capital neste ano que somam-se US$ 7,5 bilhões.Os pesquisadores destacam que com uma cotação do dólar em 2,80 pesos, a taxa de inflação acumulada até outubro seria equivalente à registrada até abril, e o aumento da inflação se vincula diretamente com o aumento de pobres e indigentes. Ou seja, com salários congelados, o aumento dos preços indicam maior quantidade de pobres e indigentes. "A alta dos preços de abril e agosto deste ano elevou a cesta básica de alimentos de 81,76 pesos para 100,94 pesos, enquanto que o valor da cesta básica total subiu de 193,77 pesos para 227,10 pesos por pessoa", diz o relatório.

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