Sistemas reduzem fraudes em cartão de crédito

A Visanet, empresa responsável pela captação das transações de cartão de crédito da bandeira Visa, investiu mais de US$ 2 milhões no desenvolvimento de uma programa para inibir as fraudes com cartão de crédito. Com quase um ano e meio de operação, o Lynx, sistema neural desenvolvido também com base em dados dos emissores de cartões, detectou fraudes em 19.460 cartões, num total de R$ 23,4 milhões. De acordo com cálculos da empresa, a perda evitada com o novo instrumento foi de R$ 69,5 milhões.O Lynx faz o cruzamento de diversas informações de transações realizadas pelos portadores do cartão, levando em conta 88 diferentes aspectos, e monta um histórico de dados. Quando uma operação chama a atenção, o emissor, em geral um banco, é alertado e p assa a trilhar as transações. As providências vão desde o cancelamento do cartão até o descredenciamento do estabelecimento comercial.Segundo o gerente de Risco, Prevenção e Segurança da Visanet, Pedro Egydio Rosa, a Visanet optou pela criação de um sistema neural próprio, em cooperação com os bancos, para aumentar a base de dados e adaptá-lo às características brasileiras. Atualmente, 94% do mercado de emissores de cartão Visa com mais de 360 usuários são cobertos pelo sistema.A clonagem de cartões é a fraude mais comum em cartão de crédito. No Brasil, representa 70% dos casos. Todas as empresas estão adotando medidas preventivas. A sistemática principal é copiar a tarja magnética do plástico. Muitas vezes isto é feito com equipamentos instalados nos estabelecimentos comerciais -o que pressupõe necessariamente a participação de funcionários. Além dos sistemas neurais, as empresas estão investindo na substituição dos cartões magnéticos por cartões com chips, que dificultam as fraudes. Entretanto este processo é lento, em razão do alto custo, segundo informou Isabel Silva, gerente de Operações e Risco da Visa do Brasil, que participou hoje da 2ª Conferência Anual sobre Prevenção e Combate às Fraudes em Crédito, promovida pelo International Business Communications (IBC), em São Paulo.Apesar das perdas das empresas de cartão de crédito, atualmente o maior volume de fraudes é registrado com cartões de débito.A prática mais comum é a instalação de chips nos terminais ATMs (caixa eletrônicos), uma operação na qual as quadrilhas gastam e m média três minutos. O chip, de capacidade variável, armazena informações dos cartões que passam por aquele equipamento. Depois, cruza com o número da senha, obtido por meio de chip instalado no teclado ou por uma câmera colocada na máquina ou ainda por um "papagaio" (espião que tenta visualizar a digitação).Uma das medidas de combate à fraude nos caixas eletrônicos é a criptografia da senha no transporte das informações entre o teclado e a CPU do equipamento. Outra alternativa é a solicitação de mais dados para a positivação da operação, além da chamada contra-senha. Segundo o gerente de Prevenção a Fraudes do ABN Amro Bank, Luiz Felipe Loureiro, as quadrilhas preferem fazer a clonagem do cartão de débito por meio dos ATMs e não junto aos estabelecimentos comerciais, a fim de envolver menos pessoas no fraude.A questão já motivou até a criação de grupo interno nos bancos para acompanhar os procedimentos, além de uma subcomissão dentro da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) para troca de informações. Com a repressão dos bancos, a tendência agora é de que as quadrilhas comecem a focar as operações pelo Internet Banking ou pelo call center.

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