Site de queixas contra tarifas bancárias

Reclamações sobre tarifas e serviços bancários não faltam. Somente no Procon, as dúvidas sobre supostas irregularidades - relativas a bancos e cartões de crédito de instituições financeiras e lojas - representaram 7,18% do total de questionamentos apurado entre janeiro e julho. As queixas com mediação do órgão para a solução representaram porcentual ainda maior, de 9,33%. Mas muitos clientes nem sabem que foram lesados e outros tentam, durante meses, negociar com o próprio banco.Segundo Valter Viana, da WBA Informática, muitos clientes nem sabem os tipos de artimanhas que instituições financeiras utilizam para aumentar suas receitas em serviços. Chamadas de "goela abaixo" ou "GA", a ordem é só estornar o valor se o cliente reclamar. Viana até pensa em ganhar dinheiro com esse jogo de interesses. Lançou, em fevereiro, o site clientesxbancos (veja o link abaixo), que tem tido cerca de 300 acessos diários. Junto com três outros sócios, um deles ex-executivo de banco que trabalhou 32 anos no setor, pretende começar a cobrar pela consultoria, por enquanto gratuita, a partir do ano que vem. A Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban) preferiu não se manifestar sobre o assunto. Segundo a assessoria de imprensa da instituição, o Banco Central (BC) é que deve acompanhar e resolver reclamações.AmeaçaUma das dicas do site é nunca ameaçar o banco de não-pagamento. "Levante suas divergências financeiras de forma objetiva e nunca diga ´fui roubado´. Diga: ´Houve um engano nesses lançamentos específicos, e esse engano monta um total de tantos reais, que gostaria de ver creditados em minha conta", disse Viana. O site recomenda, também, que o cliente tenha comprovante da cobrança irregular. De outra forma, o banco pode espalhar que o cliente é um mau pagador. Além de dicas, o site fornece simulações para o cálculo de taxas de juros.Gerente bonzinho deve estar sob suspeitaSegundoViana, "só 1% ou 2% dos clientes reclamam de diversas irregularidades" porque não sabem que elas são praticadas. Ele cita, por exemplo, a venda casada de produtos, isto é, a venda de seguro ou título de capitalização em troca de "um favor do gerente". De acordo com o site, "gerente muito bonzinho deve estar sob suspeita".Pelas contas do site clientesxbancos, um empréstimo de R$ 20 mil por 30 dias pode ter uma taxa embutida muito superior à divulgada, caso haja venda cruzada. Se o juro for de 2,5% ao mês, mas o cliente for obrigado a comprar um título de capitalização de 10% do valor do empréstimo, a taxa de juro efetiva salta para 7,6% ao mês. De acordo com o sócio do site, esse tipo de artimanha - venda cruzada de produtos - é ilegal, mas difícil de ser comprovada.

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