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Site oficial de Jucá divulgou que parentes de políticos estavam proibidos de repatriar

Até mesmo a página do senador na internet manteve a versão de que parentes de políticos não entrariam no novo projeto de regularização de ativos no exterior

Isabela Bonfim, O Estado de S.Paulo

24 Novembro 2016 | 19h16

Até mesmo o site oficial do líder do governo Romero Jucá (PMDB-RR) publicou que o projeto aprovado na noite de quarta-feira, 23, no Senado não permitia a participação de parentes de políticos no programa de reabertura da repatriação. Jucá articulou silenciosamente uma manobra que só foi descoberta nesta manhã pelos senadores de oposição. Na prática, parente de políticos poderão, sim, legalizar recursos do exterior.

A publicação no site do senador Jucá foi feita nesta quinta-feira. "Políticos serão proibidos de fazer a declaração assim como seus parentes", diz o texto. Interlocutores do líder do governo afirmam que a estratégia foi discreta e apenas assessores próximos ao senador souberam da manobra.

O senador deixou o plenário na quarta-feira, 23, lamentando o fato de ter tido que retirar do projeto os parágrafos que permitiam que parentes de políticos pudesse repatriar. "Percebi que, se não retirasse, o projeto não seria votado. Tive que tirar", afirmou. O que não foi percebido na noite de ontem era que o texto do substitutivo de Jucá também não possuía nenhum artigo com vedação explícita aos parentes, o que, na prática, permitia a participação deles.

Já na manhã de hoje, depois que a manobra foi descoberta, Jucá disse em entrevista ao Estado que só atendeu a um pedido da oposição e que não tem culpa se pediram errado.

Outro lado. A assessoria de imprensa de Jucá contesta que o senador tenha feito uma farsa ou manobra para permitir que parentes de políticos participem do programa de repatriação de recursos. O senador tão somente retirou do texto os parágrafos 1 e 2 do artigo 11 conforme solicitado por senadores da oposição. A assessoria afirma ainda que fez o texto publicado no site oficial do senador com base no entendimento que estava sendo feito no plenário e que não procurou diretamente o senador para checar a informação. 

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