Anindito Mukherjee / Reuters
Anindito Mukherjee / Reuters

Site publica, por engano, obituários de celebridades

Novo sistema de gerenciamento de site causou problema, de acordo com Rádio França Internacional

Aurelien Breeden, The New York Times

23 de novembro de 2020 | 05h00

PARIS -  Há um ditado internacional que diz: “as notícias de que eles estavam mortos foram exageradas”. Pelo menos por um breve período, na semana passada, leitores se assustaram quando um site de notícias francês teve de lidar com vários falecimentos importantes em um dia só: da Rainha Elizabeth II, da lenda do futebol Pelé, do ator americano Clint Eastwood e da lendária atriz francesa Brigitte Bardot. E eles não estiveram sozinhos: foram acompanhados por dezenas de outras celebridades e líderes globais.

O que ocorreu, na verdade, é que a Rádio França Internacional publicou por engano cerca de cem obituários previamente escritos sobre figuras proeminentes. 

Várias horas depois de publicar os obituários, na última segunda-feira, a rede pública de rádio, que é ouvida no país e também no exterior, desculpou-se e começou a retirar os artigos do ar. A empresa afirmou que rascunhos sem edição dos obituários foram publicados quando seu site foi movido para um novo sistema de gerenciamento de conteúdo. 

O problema: até a questão se resolver, plataformas como Google e Yahoo News haviam automaticamente replicado alguns desses artigos.

A estação disse, em um comunicado, que “gostaria de se desculpar, antes de mais nada, com todos aqueles retratados por esses obituários” e que podem ter se sentido magoados pelo anúncio prematuro de suas mortes.

Bom humor

Alguns dos que foram declarados mortos antes do tempo responderam com bom humor. “Nem todo mundo tem a chance de ler o próprio obituário enquanto ainda está vivo”, disse Abdoulaye Wade, que foi presidente do Senegal entre 2000 e 2012. Wade, de 94 anos, publicou no Facebook uma “selfie” vestindo uma roupa azul e relaxando em uma cadeira de jardim.

Alguns usuários de redes sociais na França expressaram sua surpresa e até irritação com o fato de que as a RFI já havia escrito sobre a morte dessas pessoas. 

Mas se trata de uma prática comum em organizações jornalísticas de todo o mundo. O The New York Times, por exemplo, mantém atualmente mais de 1,8 mil obituários de grandes personalidades escritos previamente em sua base de dados. A ideia é que as pessoas possam ler sobre a história dessas pessoas rapidamente após o anúncio de suas mortes.

Leitores mais atentos perceberam que os obituários pareciam prematuros. Até porque alguns detalhes importantes estavam faltando. “Ali Khamenei, líder supremo da República do Irã, morreu em xxxxxxx, aos xx anos”, dizia um dos textos. Outros traziam notas escritas internamente de repórteres para editores, como as mais recentes datas de revisão ou atualização.

Morte tripla

Para o empresário Bernard Tapie, uma figura de personalidade extravagante e muito conhecida na França, que já foi dono do time de futebol Olympique de Marselha, não foi a primeira nem a segunda vez que sua morte foi anunciada prematuramente. 

O jornal Le Monde publicou acidentalmente o obituário de Tapie em 2019, enquanto a empresa de jornalismo esportivo La Chaine L’Équipe anunciou erroneamente sua morte em um “pisca” jornalístico no começo deste ano. O empresário, que tem 77 anos, está sendo tratado de câncer no estômago e no esôfago.

A atriz e cantora francesa Line Renaud, de 92 anos, também figurou entre as personalidades que pareceram não ligar de terem sido declaradas mortas antes do tempo. Mas, de qualquer forma, ela foi ao Twitter para esclarecer a situação, declarando que está “em ótima forma”. Em um tuíte salpicado de emojis e de corações, ela esclareceu: “Ainda tenho muitos projetos para realizar.” 

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