Situação atual dos preços da conta de luz é insustentável, dizem representantes de consumidores

Para o Idec, o governo tem falhado em apresentar um planejamento que evite rombos financeiros; cálculos da CNI apontam que o aumento da energia vai resultar em uma queda de R$ 8,2 bilhões no PIB no ano que vem

André Borges  - O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - Instituições que representam todos os consumidores de energia do País cobram medidas efetivas do governo para resolver o caos financeiro que toma conta do setor. O coordenador do programa de energia do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Clauber Leite, afirma que o governo tem falhado em apresentar um planejamento que evite rombos financeiros como o atual.

“O caminho para mais uma solução insustentável está posto, e isso vemos com a notícia do rombo que ficará para o setor elétrico, após esse acionamento indiscriminado de térmicas. Já tínhamos alertado para esse risco de um novo empréstimo a ser tomado em nome dos consumidores e parece que temos mais um elemento para irmos nessa direção”, afirmou. 

“Há necessidade de uma modernização do setor. Uma solução paliativa, como o empréstimo para cobrir esse rombo, só resolve o aumento para o ano que vem, e joga a dívida para os anos seguintes. Não é possível ficarmos recorrendo a essa solução, enquanto não se estanca a sangria, que é a vulnerabilidade do setor elétrico a uma crise hídrica e climática”, disse.

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A Aneel projeta aumento de 21,04% na conta de luz em 2022. Foto: Aneel

O Estadão teve acesso a um documento interno da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no qual o órgão regulador projeta "impacto tarifário médio em 2022 da ordem de 21,04%", devido às medidas que foram adotadas para garantir o abastecimento de energia. Considerando dados da própria Aneel, o reajuste acumulado neste ano só para o consumidor residencial chega a 7,04%, ou seja, o aumento projetado para o ano que vem praticamente triplica a alta de 2021. Em 2020, o aumento médio foi de 3,25%.

Na avaliação do Idec, as mudanças climáticas, que afetam o regime das chuvas, devem ser incorporadas no planejamento e na operação do setor, com o aumento de fontes mais renováveis na matriz elétrica.

O presidente da Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), Paulo Pedrosa, chama a atenção para o custo médio das térmicas, um triplo acima do normal. “A Abrace vem alertando seus associados há muito sobre a explosão do custo da energia para o próximo ano. Só em relação aos Encargos de Serviço do Sistema (ESS), térmicas contratadas emergencialmente e a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) podem superar o preço de R$ 130 por megawatt-hora em 2022, quando não deveria ultrapassar R$ 40”, explica. “É quase o custo de uma energia nova. É importante atacar a raiz dos males que comprometem o setor elétrico. O preço equivocado da energia esvazia os reservatórios e depois cobra caro dos consumidores para enchê-los de novo.”

Cálculos realizados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que o aumento no preço da energia elétrica resultará em uma queda de R$ 8,2 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, neste ano, em comparação com o que ocorreria sem a crise energética.

Para 2022, estima a CNI, a previsão de perda chega a R$ 14,2 bilhões devido ao custo energético. “Neste ano, o consumo das famílias se reduzirá em R$ 7 bilhões, as exportações terão perdas equivalentes a R$ 2,9 bilhões, e o impacto no emprego será de menos 166 mil postos de trabalho”, afirmou a CNI.

Em 2021, o PIB industrial, que inclui indústrias extrativa e de transformação, serviços industriais de utilidade pública e a construção, deve se reduzir em R$ 2,2 bilhões em comparação ao que ocorreria sem o aumento de custo da energia elétrica. Somente o PIB da indústria de transformação ficará R$ 1,2 bilhão menor neste ano.

Após a publicação da reportagem, a Aneel divulgou a seguinte nota, em que afirma que as estimativas da agência são preliminares e baseadas em cenários hipotéticos:

Nota de Esclarecimento

A Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL esclarece que as informações veiculadas em reportagens publicadas nesta sexta-feira (12/11) sobre aumento na conta de luz em 2022 correspondem a estimativas preliminares baseadas em cenários hipotéticos que ainda não consideram as medidas de atenuação tarifárias que serão implementadas em 2022.   

O Brasil no último período úmido registrou o pior regime de chuvas dos últimos 91 anos. Em razão desse cenário adverso, para compensar o baixo nível dos reservatórios com a falta de chuva, têm sido utilizados todos os recursos de oferta de energia disponíveis e foram tomadas medidas excepcionais para assegurar o suprimento de energia no País. 

A ANEEL salienta que, no exercício de sua competência legal de regular o setor elétrico brasileiro, em observância às políticas públicas emanadas do Ministério de Minas e Energia – MME, tem envidado esforços para atenuar os impactos da escassez hídrica nos processos tarifários de 2022, a exemplo de todos os esforços que foram empreendidos nos anos de 2020 e 2021 e que permitiram que os impactos da pandemia no aumento das tarifas fossem significativamente reduzidos, em prol de toda a sociedade brasileira e da sustentabilidade do setor elétrico.

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Conta de luz vai subir 21% em 2022 por causa de rombo da crise hídrica, prevê Aneel

Estimativa consta de documento interno da agência reguladora ao qual o 'Estadão' teve acesso; a Aneel calcula que o rombo deixado pela crise hídrica será de R$ 13 bilhões até abril de 2022, sem contar a fatura da importação de energia

André Borges  - O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O aumento no preço da conta de luz não dará trégua ao consumidor no ano que vem. O reajuste que documentos oficiais do governo e do próprio setor elétrico preveem é superior a 20% em 2022, uma alta que vai turbinar ainda mais a inflação e corroer a renda do cidadão.

O Estadão teve acesso a um documento interno da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) emitido na sexta-feira, 5, no qual o órgão regulador faz uma projeção sobre o impacto financeiro que a atual crise hídrica terá sobre a conta de luz em todo o País, devido às medidas que foram adotadas para garantir o abastecimento de energia. A conclusão é trágica.

"Nossas estimativas apontam para um cenário de impacto tarifário médio em 2022 da ordem de 21,04%”, diz o texto. Considerando dados da própria Aneel, o reajuste acumulado neste ano só para o consumidor residencial chega a 7,04%, ou seja, o aumento projetado para o ano que vem praticamente triplica a alta de 2021. Em 2020, o aumento médio foi de 3,25%.

Aumento na conta de luz

Documento interno da Aneel aponta que a estimativa é de alta de 21,04% na tarifa residencial em 2022

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Nos últimos meses, cada consumidor de energia tem bancado, mensalmente, o custo pesado das chamadas “bandeiras tarifárias”, uma taxa extra que é incluída na conta de luz para pagar o acionamento das usinas térmicas, que são bem mais caras que as hidrelétricas. Isso tem ocorrido por causa da falta de chuvas e do esvaziamento dos principais reservatórios do País. 

Uma das principais razões de se fazer essa cobrança mensal do consumidor é evitar que essas contas fossem pagas depois, nos reajustes anuais, como acontecia antes. Ocorre que nem mesmo as bandeiras tarifárias têm conseguido cobrir o rombo atual.

Após analisar as projeções de geração de energia e os custos previstos - incluindo informações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) -, a área técnica da agência reguladora concluiu que, até abril de 2022, as “melhores estimativas” apontam para um rombo de RS 13 bilhões, “já descontada a previsão de arrecadação da receita da bandeira tarifária patamar escassez hídrica no período”, ou seja, o nível mais alto de cobrança da taxa extra.

Térmica no Estado do Rio; energia gerada nessas usinas é mais cara que a das hidrelétricas. Foto: GNA/Divulgação

O acionamento de tudo quanto é usina térmica no País não é o único fator que explica o rombo financeiro do setor elétrico e que terá de ser quitado pelo cidadão. Outra fatura estimada em mais R$ 9 bilhões que será paga pelo consumidor tem origem nas contratações “simplificadas” de energia feitas pelo governo no mês passado. Trata-se de uma “energia de reserva” que será entregue a partir de maio do ano que vem, para dar mais segurança e evitar o racionamento.

Os reajustes são puxados ainda pelo aumento de importação de energia, por meio de contratos firmados com Argentina e Uruguai. Como os reajustes de tarifas são feitos anualmente pela Aneel, após analisar os custos de cada distribuidora de energia do País, o porcentual de aumento varia de Estado para Estado.

O aumento do preço da energia, somado à alta dos combustíveis e do gás de cozinha, são os fatores que mais afetam a inflação no País e massacram a renda da população, porque seus impactos são disseminados em todo tipo de consumo, seja das famílias ou de empresas.

Custo extra

Sistema de bandeiras tarifárias funciona de acordo com as condições de geração de energia no País

Nota: Obs.: de setembro de 2021 a abril de 2022

Fonte: Aneel

 

Após a publicação da reportagem, a Aneel divulgou a seguinte nota, em que afirma que as estimativas da agência são preliminares e baseadas em cenários hipotéticos:

Nota de Esclarecimento

A Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL esclarece que as informações veiculadas em reportagens publicadas nesta sexta-feira (12/11) sobre aumento na conta de luz em 2022 correspondem a estimativas preliminares baseadas em cenários hipotéticos que ainda não consideram as medidas de atenuação tarifárias que serão implementadas em 2022.   

O Brasil no último período úmido registrou o pior regime de chuvas dos últimos 91 anos. Em razão desse cenário adverso, para compensar o baixo nível dos reservatórios com a falta de chuva, têm sido utilizados todos os recursos de oferta de energia disponíveis e foram tomadas medidas excepcionais para assegurar o suprimento de energia no País. 

A ANEEL salienta que, no exercício de sua competência legal de regular o setor elétrico brasileiro, em observância às políticas públicas emanadas do Ministério de Minas e Energia – MME, tem envidado esforços para atenuar os impactos da escassez hídrica nos processos tarifários de 2022, a exemplo de todos os esforços que foram empreendidos nos anos de 2020 e 2021 e que permitiram que os impactos da pandemia no aumento das tarifas fossem significativamente reduzidos, em prol de toda a sociedade brasileira e da sustentabilidade do setor elétrico.

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Reajuste de 21% estimado para a conta de luz em 2022 será o maior em 7 anos

Em 2015, aumento chegou a 30,73% após uma série de acordos com distribuidoras e renovações antecipadas de concessões; agora, a projeção da Aneel considera as perdas causadas ao setor pela crise hídrica

André Borges  - O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - A confirmação de que a conta de luz pode ter um aumento médio de 21% em 2022, conforme cálculos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), levaria o consumidor brasileiro a reviver o pesadelo de 2015, quando o setor elétrico impôs seu “realismo tarifário” para acertar contas que tinham ficado em aberto nos anos anteriores junto às distribuidoras de energia.

Em 2015, segundo dados da Aneel, o reajuste médio das tarifas cobradas do consumidor residencial chegou a alarmantes 30,73%, após ser firmada uma série de acordos com as distribuidoras e renovações antecipadas de concessões de transmissão e geração de energia, drama que foi aprofundado pela escassez hídrica dos anos anteriores.

Em 2013, nas prévias da campanha eleitoral, a então presidente Dilma Rousseff chegou a ir para a TV e declarar, em rede nacional, que haveria um corte na tarifa de energia para residências de até 18% naquele ano e de até 32% para a indústria. Os cortes ocorreram, mas o preço das medidas acabou sendo cobrado em 2015.

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Represa da usina de Caconde no interior de São Paulo;  reajuste médio nas tarifas, inicialmente estimado em 21%, pode cair para 9,14%, a depender do valor da operação financeira. Foto: Tiago Queiroz/Estadão - 4/7/2021

Passado o pesadelo do tarifaço, o setor procurou formas de voltar à normalidade. Em 2016, a conta de luz do consumidor residencial chegou a ter queda de 1,49%. O reajuste saltou para 4,83% em 2017, e, no ano seguinte, chegou a 14,99%. Em 2019, houve nova redução e o índice médio ficou em 1,67% de aumento, saltando para 3,25% no ano passado.

Diferentemente do que ocorreu há sete anos, os problemas atuais que encarecem o custo da energia não estão ligados a renovações antecipadas de concessões de energia, mas sim concentrados na crise hídrica, que obrigou o setor elétrico a buscar fontes térmicas de energia para garantir o abastecimento, enquanto preserva, minimamente, os níveis dos reservatórios das principais hidrelétricas do País.

Há meses, todas as plantas térmicas movidas a diesel, gás, biomassa e carvão do País operam a plena carga. O combustível usado por essas usinas, no entanto, tem preço alto. Se a situação é de emergência, esse custo aumenta mais ainda.

A preocupação, no momento, não diz respeito apenas à geração de energia neste ano, mas em como o parque elétrico brasileiro estará em maio do ano que vem, quando começará o novo ciclo de seca. Se os reservatórios não tiverem seus níveis médios recuperados nos próximos meses, os riscos de falta de energia se projetam - e talvez com maior intensidade - para 2022, ano de eleição em todo o País.

Após a publicação da reportagem, a Aneel divulgou a seguinte nota, em que afirma que as estimativas da agência são preliminares e baseadas em cenários hipotéticos:

Nota de Esclarecimento

A Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL esclarece que as informações veiculadas em reportagens publicadas nesta sexta-feira (12/11) sobre aumento na conta de luz em 2022 correspondem a estimativas preliminares baseadas em cenários hipotéticos que ainda não consideram as medidas de atenuação tarifárias que serão implementadas em 2022.   

O Brasil no último período úmido registrou o pior regime de chuvas dos últimos 91 anos. Em razão desse cenário adverso, para compensar o baixo nível dos reservatórios com a falta de chuva, têm sido utilizados todos os recursos de oferta de energia disponíveis e foram tomadas medidas excepcionais para assegurar o suprimento de energia no País. 

A ANEEL salienta que, no exercício de sua competência legal de regular o setor elétrico brasileiro, em observância às políticas públicas emanadas do Ministério de Minas e Energia – MME, tem envidado esforços para atenuar os impactos da escassez hídrica nos processos tarifários de 2022, a exemplo de todos os esforços que foram empreendidos nos anos de 2020 e 2021 e que permitiram que os impactos da pandemia no aumento das tarifas fossem significativamente reduzidos, em prol de toda a sociedade brasileira e da sustentabilidade do setor elétrico.

Situação atual dos preços da conta de luz é insustentável, dizem representantes de consumidores

Para o Idec, o governo tem falhado em apresentar um planejamento que evite rombos financeiros; cálculos da CNI apontam que o aumento da energia vai resultar em uma queda de R$ 8,2 bilhões no PIB no ano que vem

André Borges  - O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - Instituições que representam todos os consumidores de energia do País cobram medidas efetivas do governo para resolver o caos financeiro que toma conta do setor. O coordenador do programa de energia do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Clauber Leite, afirma que o governo tem falhado em apresentar um planejamento que evite rombos financeiros como o atual.

“O caminho para mais uma solução insustentável está posto, e isso vemos com a notícia do rombo que ficará para o setor elétrico, após esse acionamento indiscriminado de térmicas. Já tínhamos alertado para esse risco de um novo empréstimo a ser tomado em nome dos consumidores e parece que temos mais um elemento para irmos nessa direção”, afirmou. 

“Há necessidade de uma modernização do setor. Uma solução paliativa, como o empréstimo para cobrir esse rombo, só resolve o aumento para o ano que vem, e joga a dívida para os anos seguintes. Não é possível ficarmos recorrendo a essa solução, enquanto não se estanca a sangria, que é a vulnerabilidade do setor elétrico a uma crise hídrica e climática”, disse.

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A Aneel projeta aumento de 21,04% na conta de luz em 2022. Foto: Aneel

O Estadão teve acesso a um documento interno da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no qual o órgão regulador projeta "impacto tarifário médio em 2022 da ordem de 21,04%", devido às medidas que foram adotadas para garantir o abastecimento de energia. Considerando dados da própria Aneel, o reajuste acumulado neste ano só para o consumidor residencial chega a 7,04%, ou seja, o aumento projetado para o ano que vem praticamente triplica a alta de 2021. Em 2020, o aumento médio foi de 3,25%.

Na avaliação do Idec, as mudanças climáticas, que afetam o regime das chuvas, devem ser incorporadas no planejamento e na operação do setor, com o aumento de fontes mais renováveis na matriz elétrica.

O presidente da Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), Paulo Pedrosa, chama a atenção para o custo médio das térmicas, um triplo acima do normal. “A Abrace vem alertando seus associados há muito sobre a explosão do custo da energia para o próximo ano. Só em relação aos Encargos de Serviço do Sistema (ESS), térmicas contratadas emergencialmente e a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) podem superar o preço de R$ 130 por megawatt-hora em 2022, quando não deveria ultrapassar R$ 40”, explica. “É quase o custo de uma energia nova. É importante atacar a raiz dos males que comprometem o setor elétrico. O preço equivocado da energia esvazia os reservatórios e depois cobra caro dos consumidores para enchê-los de novo.”

Cálculos realizados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que o aumento no preço da energia elétrica resultará em uma queda de R$ 8,2 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, neste ano, em comparação com o que ocorreria sem a crise energética.

Para 2022, estima a CNI, a previsão de perda chega a R$ 14,2 bilhões devido ao custo energético. “Neste ano, o consumo das famílias se reduzirá em R$ 7 bilhões, as exportações terão perdas equivalentes a R$ 2,9 bilhões, e o impacto no emprego será de menos 166 mil postos de trabalho”, afirmou a CNI.

Em 2021, o PIB industrial, que inclui indústrias extrativa e de transformação, serviços industriais de utilidade pública e a construção, deve se reduzir em R$ 2,2 bilhões em comparação ao que ocorreria sem o aumento de custo da energia elétrica. Somente o PIB da indústria de transformação ficará R$ 1,2 bilhão menor neste ano.

Após a publicação da reportagem, a Aneel divulgou a seguinte nota, em que afirma que as estimativas da agência são preliminares e baseadas em cenários hipotéticos:

Nota de Esclarecimento

A Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL esclarece que as informações veiculadas em reportagens publicadas nesta sexta-feira (12/11) sobre aumento na conta de luz em 2022 correspondem a estimativas preliminares baseadas em cenários hipotéticos que ainda não consideram as medidas de atenuação tarifárias que serão implementadas em 2022.   

O Brasil no último período úmido registrou o pior regime de chuvas dos últimos 91 anos. Em razão desse cenário adverso, para compensar o baixo nível dos reservatórios com a falta de chuva, têm sido utilizados todos os recursos de oferta de energia disponíveis e foram tomadas medidas excepcionais para assegurar o suprimento de energia no País. 

A ANEEL salienta que, no exercício de sua competência legal de regular o setor elétrico brasileiro, em observância às políticas públicas emanadas do Ministério de Minas e Energia – MME, tem envidado esforços para atenuar os impactos da escassez hídrica nos processos tarifários de 2022, a exemplo de todos os esforços que foram empreendidos nos anos de 2020 e 2021 e que permitiram que os impactos da pandemia no aumento das tarifas fossem significativamente reduzidos, em prol de toda a sociedade brasileira e da sustentabilidade do setor elétrico.

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Conta de luz vai subir 21% em 2022 por causa de rombo da crise hídrica, prevê Aneel

Estimativa consta de documento interno da agência reguladora ao qual o 'Estadão' teve acesso; a Aneel calcula que o rombo deixado pela crise hídrica será de R$ 13 bilhões até abril de 2022, sem contar a fatura da importação de energia

André Borges  - O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O aumento no preço da conta de luz não dará trégua ao consumidor no ano que vem. O reajuste que documentos oficiais do governo e do próprio setor elétrico preveem é superior a 20% em 2022, uma alta que vai turbinar ainda mais a inflação e corroer a renda do cidadão.

O Estadão teve acesso a um documento interno da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) emitido na sexta-feira, 5, no qual o órgão regulador faz uma projeção sobre o impacto financeiro que a atual crise hídrica terá sobre a conta de luz em todo o País, devido às medidas que foram adotadas para garantir o abastecimento de energia. A conclusão é trágica.

"Nossas estimativas apontam para um cenário de impacto tarifário médio em 2022 da ordem de 21,04%”, diz o texto. Considerando dados da própria Aneel, o reajuste acumulado neste ano só para o consumidor residencial chega a 7,04%, ou seja, o aumento projetado para o ano que vem praticamente triplica a alta de 2021. Em 2020, o aumento médio foi de 3,25%.

Aumento na conta de luz

Documento interno da Aneel aponta que a estimativa é de alta de 21,04% na tarifa residencial em 2022

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Nos últimos meses, cada consumidor de energia tem bancado, mensalmente, o custo pesado das chamadas “bandeiras tarifárias”, uma taxa extra que é incluída na conta de luz para pagar o acionamento das usinas térmicas, que são bem mais caras que as hidrelétricas. Isso tem ocorrido por causa da falta de chuvas e do esvaziamento dos principais reservatórios do País. 

Uma das principais razões de se fazer essa cobrança mensal do consumidor é evitar que essas contas fossem pagas depois, nos reajustes anuais, como acontecia antes. Ocorre que nem mesmo as bandeiras tarifárias têm conseguido cobrir o rombo atual.

Após analisar as projeções de geração de energia e os custos previstos - incluindo informações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) -, a área técnica da agência reguladora concluiu que, até abril de 2022, as “melhores estimativas” apontam para um rombo de RS 13 bilhões, “já descontada a previsão de arrecadação da receita da bandeira tarifária patamar escassez hídrica no período”, ou seja, o nível mais alto de cobrança da taxa extra.

Térmica no Estado do Rio; energia gerada nessas usinas é mais cara que a das hidrelétricas. Foto: GNA/Divulgação

O acionamento de tudo quanto é usina térmica no País não é o único fator que explica o rombo financeiro do setor elétrico e que terá de ser quitado pelo cidadão. Outra fatura estimada em mais R$ 9 bilhões que será paga pelo consumidor tem origem nas contratações “simplificadas” de energia feitas pelo governo no mês passado. Trata-se de uma “energia de reserva” que será entregue a partir de maio do ano que vem, para dar mais segurança e evitar o racionamento.

Os reajustes são puxados ainda pelo aumento de importação de energia, por meio de contratos firmados com Argentina e Uruguai. Como os reajustes de tarifas são feitos anualmente pela Aneel, após analisar os custos de cada distribuidora de energia do País, o porcentual de aumento varia de Estado para Estado.

O aumento do preço da energia, somado à alta dos combustíveis e do gás de cozinha, são os fatores que mais afetam a inflação no País e massacram a renda da população, porque seus impactos são disseminados em todo tipo de consumo, seja das famílias ou de empresas.

Custo extra

Sistema de bandeiras tarifárias funciona de acordo com as condições de geração de energia no País

Nota: Obs.: de setembro de 2021 a abril de 2022

Fonte: Aneel

 

Após a publicação da reportagem, a Aneel divulgou a seguinte nota, em que afirma que as estimativas da agência são preliminares e baseadas em cenários hipotéticos:

Nota de Esclarecimento

A Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL esclarece que as informações veiculadas em reportagens publicadas nesta sexta-feira (12/11) sobre aumento na conta de luz em 2022 correspondem a estimativas preliminares baseadas em cenários hipotéticos que ainda não consideram as medidas de atenuação tarifárias que serão implementadas em 2022.   

O Brasil no último período úmido registrou o pior regime de chuvas dos últimos 91 anos. Em razão desse cenário adverso, para compensar o baixo nível dos reservatórios com a falta de chuva, têm sido utilizados todos os recursos de oferta de energia disponíveis e foram tomadas medidas excepcionais para assegurar o suprimento de energia no País. 

A ANEEL salienta que, no exercício de sua competência legal de regular o setor elétrico brasileiro, em observância às políticas públicas emanadas do Ministério de Minas e Energia – MME, tem envidado esforços para atenuar os impactos da escassez hídrica nos processos tarifários de 2022, a exemplo de todos os esforços que foram empreendidos nos anos de 2020 e 2021 e que permitiram que os impactos da pandemia no aumento das tarifas fossem significativamente reduzidos, em prol de toda a sociedade brasileira e da sustentabilidade do setor elétrico.

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Reajuste de 21% estimado para a conta de luz em 2022 será o maior em 7 anos

Em 2015, aumento chegou a 30,73% após uma série de acordos com distribuidoras e renovações antecipadas de concessões; agora, a projeção da Aneel considera as perdas causadas ao setor pela crise hídrica

André Borges  - O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - A confirmação de que a conta de luz pode ter um aumento médio de 21% em 2022, conforme cálculos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), levaria o consumidor brasileiro a reviver o pesadelo de 2015, quando o setor elétrico impôs seu “realismo tarifário” para acertar contas que tinham ficado em aberto nos anos anteriores junto às distribuidoras de energia.

Em 2015, segundo dados da Aneel, o reajuste médio das tarifas cobradas do consumidor residencial chegou a alarmantes 30,73%, após ser firmada uma série de acordos com as distribuidoras e renovações antecipadas de concessões de transmissão e geração de energia, drama que foi aprofundado pela escassez hídrica dos anos anteriores.

Em 2013, nas prévias da campanha eleitoral, a então presidente Dilma Rousseff chegou a ir para a TV e declarar, em rede nacional, que haveria um corte na tarifa de energia para residências de até 18% naquele ano e de até 32% para a indústria. Os cortes ocorreram, mas o preço das medidas acabou sendo cobrado em 2015.

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Represa da usina de Caconde no interior de São Paulo;  reajuste médio nas tarifas, inicialmente estimado em 21%, pode cair para 9,14%, a depender do valor da operação financeira. Foto: Tiago Queiroz/Estadão - 4/7/2021

Passado o pesadelo do tarifaço, o setor procurou formas de voltar à normalidade. Em 2016, a conta de luz do consumidor residencial chegou a ter queda de 1,49%. O reajuste saltou para 4,83% em 2017, e, no ano seguinte, chegou a 14,99%. Em 2019, houve nova redução e o índice médio ficou em 1,67% de aumento, saltando para 3,25% no ano passado.

Diferentemente do que ocorreu há sete anos, os problemas atuais que encarecem o custo da energia não estão ligados a renovações antecipadas de concessões de energia, mas sim concentrados na crise hídrica, que obrigou o setor elétrico a buscar fontes térmicas de energia para garantir o abastecimento, enquanto preserva, minimamente, os níveis dos reservatórios das principais hidrelétricas do País.

Há meses, todas as plantas térmicas movidas a diesel, gás, biomassa e carvão do País operam a plena carga. O combustível usado por essas usinas, no entanto, tem preço alto. Se a situação é de emergência, esse custo aumenta mais ainda.

A preocupação, no momento, não diz respeito apenas à geração de energia neste ano, mas em como o parque elétrico brasileiro estará em maio do ano que vem, quando começará o novo ciclo de seca. Se os reservatórios não tiverem seus níveis médios recuperados nos próximos meses, os riscos de falta de energia se projetam - e talvez com maior intensidade - para 2022, ano de eleição em todo o País.

Após a publicação da reportagem, a Aneel divulgou a seguinte nota, em que afirma que as estimativas da agência são preliminares e baseadas em cenários hipotéticos:

Nota de Esclarecimento

A Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL esclarece que as informações veiculadas em reportagens publicadas nesta sexta-feira (12/11) sobre aumento na conta de luz em 2022 correspondem a estimativas preliminares baseadas em cenários hipotéticos que ainda não consideram as medidas de atenuação tarifárias que serão implementadas em 2022.   

O Brasil no último período úmido registrou o pior regime de chuvas dos últimos 91 anos. Em razão desse cenário adverso, para compensar o baixo nível dos reservatórios com a falta de chuva, têm sido utilizados todos os recursos de oferta de energia disponíveis e foram tomadas medidas excepcionais para assegurar o suprimento de energia no País. 

A ANEEL salienta que, no exercício de sua competência legal de regular o setor elétrico brasileiro, em observância às políticas públicas emanadas do Ministério de Minas e Energia – MME, tem envidado esforços para atenuar os impactos da escassez hídrica nos processos tarifários de 2022, a exemplo de todos os esforços que foram empreendidos nos anos de 2020 e 2021 e que permitiram que os impactos da pandemia no aumento das tarifas fossem significativamente reduzidos, em prol de toda a sociedade brasileira e da sustentabilidade do setor elétrico.

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