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Situação da Varig preocupa clientes na Copa

Não é apenas a fraca atuação da seleção brasileira na Copa do Mundo que está tirando o sono dos torcedores que viajaram até a Alemanha para acompanhar os jogos do Mundial. Para muitos que voaram de Varig até a Copa, a situação da companhia aérea é motivo de preocupação. "Não sei ainda como vou retornar ao Brasil", admite o paulista Allan Costa, que comercializa vinhos e que conta que já em sua partida do Brasil, no dia 11 de junho, não sabia se o vôo seria confirmado.Josimar Cerqueira, também de São Paulo, prefere brincar com a situação da Varig. "Eu já estou sem ingresso para os jogos da Copa e agora também vou ficar sem passagem de volta ao Brasil. Só falta agora a seleção perder para a Argentina", disse Cerqueira, fantasiado de torcedor e que espera estar no Brasil dia 24 deste mês. Nas ruas de Dortmund, cidade onde o Brasil joga amanhã contra o Japão em sua última partida na primeira fase da Copa do Mundo, os brasileiros pediam informações aos jornalistas sobre o que estava ocorrendo com suas passagens. "Tudo bem se não houver vôo de volta. Só vou ter de avisar ao meu chefe que terei de ficar mais tempo na Europa", disse Roberto Leite, do Rio de Janeiro. Já um casal de Santa Catarina, que está na Europa desde abril, se apavorou com a notícia da crise na Varig. "Não temos idéia qual deve ser o procedimento caso não haja mais vôo", disse o casal. Segundo a embaixada do Brasil em Berlim, vários brasileiros têm ligado para perguntar sobre a situação da empresa aérea. Outros torcedores foram mais precavidos. "Não comprei minha passagem pela Varig porque precisava voltar em uma data específica e não poderia correr nenhum risco", afirmou Ricardo Cunha, de Belo Horizonte. Quem ainda acredita em uma solução é Paulo Medeiros, um aposentado da Varig e que foi até a Alemanha para acompanhar a seleção pela terceira vez. "Eu vou para o aeroporto no dia do meu embarque e sei que terão de encontrar uma solução", afirmou o morador de João Pessoa.Itamaraty afirma que ajudará turistasO cancelamento de mais de 50% dos vôos diários da Varig desde ontem levou o Ministério das Relações Exteriores a acelerar sua estratégia para atender os brasileiros no exterior com passagens aéreas da companhia para retornar ao País, sobretudo os cerca de 6.000 que acompanham a Copa do Mundo da Alemanha. Um plantão interno foi criado nesta semana para dar suporte aos postos do Brasil no exterior e para remeter à sala de emergência da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informações atualizadas sobre a situação dos brasileiros.O Itamaraty tenta, em princípio, antecipar-se à dificuldade da Anac de concluir um plano emergencial para os brasileiros cujas passagens de retorno tenham sido emitidas pela Varig, além da redistribuição das rotas operadas pela Varig no caso da empresa paralisar de vez suas atividades. O ministério vale-se, por exemplo, da decisão de ter enviado para a Alemanha uma equipe adicional de 12 profissionais, dos quais oito fluentes em alemão, para colaborar no atendimento corriqueiro de brasileiros em uma Copa do Mundo.O Itamaraty acredita que sua ajuda tende a concentrar-se na intermediação do contato entre os passageiros e as empresas aéreas, uma vez que não lhe é permitido fornecer ajuda financeira nem prover passagens e hospedagens - com exceção de brasileiros em situações absolutamente precárias, que serão avaliadas caso a caso. A decisão da Varig de não cancelar, até hoje, os dois vôos diários para Frankfurt alivia a crise, assim como o fato de boa parte dos cidadãos ter adquirido um pacote de viagem ao exterior de agências de turismo. Essas empresa serão, a rigor, as responsáveis por embarcar o cliente de volta ao Brasil.Mas o Itamaraty está ciente dos riscos de dificuldades, seja com relação ao futuro do vôo Frankfurt-São Paulo da Varig ou sobre a capacidade de agências de pequeno porte efetivarem a remarcação de passagens. Somente a Planeta Brasil, operadora oficial no Brasil da Copa do Mundo, teria levado para a Alemanha 1.200 brasileiros, na primeira fase do campeonato, e mais 1.700 para a segunda etapa, que começa na próxima semana. Como chamariz, valeu-se do fato de contar com uma cota de 8% dos ingressos das partidas da seleção brasileira.

Agencia Estado,

21 de junho de 2006 | 18h11

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